O Milagre da Penha- Lugar onde a vida
vence todos os dias!

o hospital sempre precisou de ajuda para se manter de pé.
Quando falamos de certas localidades do subúrbio imaginamos
inúmeras coisas- mortes, assassinatos, roubos, falta de estrutura, etc.. Mas
quando falamos que existe pontos turísticos em nossa região a única coisa que
eu escuto é risada. Mas quem diria que um desses pontos é o responsável de
salvar milhares de vidas todos os anos. Escondido numa rua na Penha Circular, o
Hospital Mario Kroeff é responsável por salvar milhares de vidas, sobrevive
apenas por doação e ao amor de seus profissionais. Nesse artigo vou apresentar
um pouco sobre ele a todos os leitores, como surgiu, sua história, suas
dificuldades e suas vitórias.
O HOMEM
Antes de falar do hospital, é necessário conhecer um pouco
sobre o homem responsável pela maravilha do bairro, Mario Kroeff. Um verdadeiro
pioneiro na luta contra o câncer, o professor Mário Kroeff nasceu na cidade de
São Francisco de Paula RS, 13 de outubro de 1891. Nascido na fazenda do
Potreirinho, no noroeste do estado. Realizou seus estudos primários e na cidade
de Taquara do Novo Mundo e depois foi morar em Porto Alegre, onde cursou o secundário.
Depois de prestado o
exame global de grande madureza, no Ginásio Júlio de Castilhos em 1910,
matriculou-se na escola de medicina daquela cidade, onde cursou os dois
primeiros anos. Transferindo-se em 1912 para o Rio de Janeiro, recebeu o
diploma de médico na turma de 1915. No sexto ano fez concurso para interno
acadêmico do Pronto Socorro Municipal. Depois de formado regressou ao Rio
Grande do Sul para exercer a vida como clínico no interior do estado. Em 1918
regressou ao Rio de Janeiro, onde ingressou no corpo de saúde da Armada.
Nomeado primeiro-tenente, serviu no Hospital Central da Marinha, na Ilha das
Cobras, e logo depois na Escola Naval de Angra dos Reis. Quando em 1918 o
Brasil organizou a Missão Médica Militar para prestar serviços na França, foi
escolhido pelo ministro Alexandrino de Alencar. Terminada a guerra permaneceu
em Paris, integrando o corpo médico-cirurgico do hospital brasileiro, instalado
na Rua Vangirard.
Aproveitando a estadia
na Europa, frequentou cursos de cirurgia. Regressou ao Brasil após ter sido
condecorado na França por serviços de guerra. Concursado para inspetor de saúde
pública no recém criado Departamento Nacional de Saúde Pública, deixou a
Marinha em 1921, para chefiar o dispensário de doenças venéreas, convidado por
Eduardo Rabelo. Viajou a trabalho para Alemanha e França em 1924, voltando ao
Brasil em 1926 para trabalhar na clínica de Brandão Filho, na Santa Casa. Ali
praticou a primeira operação de eletrocirurgia em câncer realizada no Brasil,
com aparelho trazido da Alemanha. Até então, o câncer era considerado incurável
no país.
Fundou o primeiro
núcleo oficial de combate ao câncer no Brasil, chamado Centro de Cancerologia,
no bairro do Estácio, em 1938. Foi eleito para a Academia Nacional de Medicina
em 1940. Em 1941 fundou o Serviço Nacional de Câncer. Durante a Segunda Guerra
Mundial viajou aos Estados Unidos para adquirir radium. Em maio de 1946
transferiu o Serviço Nacional de Câncer para o Hospital Gaffre e Guinle, na
Tijuca. Fundou a Sociedade Brasileira de Cancerologia e a Associação Brasileiro
dos Cancerosos, que mais tarde se converteria no Hospital Mário Kroeff. Fez a
primeira exposição sobre câncer no Brasil, patrocinada pelo Jockey Club
Brasileiro, em 1948. Chefiou o Serviço Nacional de Câncer até 1954, substituído
pelo ministro Miguel Couto Filho. Presidente do Conselho administrativo que
coordenou as obras do Hospital do Servidores do Estado.
No fim da vida
dedicou-se a literatura através de três livros: Imagens do meu Rio Grande,
Ensarilhando as armas e O gaúcho na panorama brasileiro, este último com a
renda das vendas destinada exclusivamente ao término do Hospital Mário Kroeff.(
trecho retirado de sites).
O HOSPITAL

Bernadete foi um exemplo de luta, a professora veio para o rio se tratar , mas acabou ajudando várias almas...
Mario queria fazer muito mais pela cidade e pelo país, queria
poder vencer essa doença maligna e levar paz a seus pacientes, queria também um
local onde os cancerosos pudessem ter um final digno. Quando o cliente era
diagnosticado com a doença em fase terminal, o mesmo era jogado ou abandonado
ela família, morria à mingua. Foi então que o professor se reuniu com pessoas
notáveis da saúde e de pessoas públicas
A primeira reunião foi registrada no Livro Ata aberto dia
07/06/1939 e contem registros até a ano de 1957, a primeira reunião foi
realizada no dia 27 de junho de 1939 as 17:30, no salão nobre da Associação dos
Empreendedores do Comércio do Rio de Janeiro, em seu salão nobre, na Avenida
Rio Branco. Ilustres presentes estavam nessa reunião, dentre eles Irineu
Marinho e Darcy Vargas.
A reunião tinha como finalidade a criação de uma associação
para o combate ao câncer e que fosse do alcance para todas as classes. O
Instituto Nacional do café realizou a primeira doação para a futura associação,
o valor foi Dez Contos de Réis (10:000#000). O Instituto do Álcool e Açúcar realizou
a segunda doação, a modesta quantia de dois Contos de Réis (2:000#000), mal
sabiam que essa quantia seria determinante para a compra do local onde seria
fundado o hospital.
Dando sequência a reunião foi escolhida a mesa diretora e foi
composta por:
Presidente de Honra: Darcy Vargas
Presidente: Dr. Edmundo Pinto
Vice-Presidente 1: Jovita Silva
Vice-Presidente 2: Germânia Carneiro
Diretor Técnico: Mario Kroeff

DARCY VARGAS

MARIO KROEFF

IRINEU MARINHO
Foi votado a mesa diretora, assim como foi definido o nome de
“ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ASSITÊNCIA AO CANCEROSO”, e o projeto do asilo foi
apresentado e votado por aclamação, todos adoram e aprovaram o projeto sem ressalvas.
A segunda grande reunião seria realizada e registrada no
livro Ata do dia 7 de agosto de 1943. Nessa reunião a Dra. Camila Furtado Neves
refere-se a um terreno imenso que tem um casarão que pertencia a uma francesa
que se encontrava a venda a um bom preço, na Rua Magé no bairro da Penha. A proprietária
estava pedindo C$210.000,00(duzentos mil cruzeiros). Devido a doações recebida
ao longo dos anos foi possível a compra do terreno.
Terreno comprado na Rua Magé 326, foi fundado o Asilo dos
cancerosos, e essa abertura foi possível graças a uma doação de Antonio
Gonzaga, o asilo foi aberto com 4 pacientes incuráveis que eram mantidos
mediante a doação de 5 a 10 cruzeiros/mês para cada um. O Hospital sempre foi
filantrópico, sempre dependeu de doações para sobreviver, no seu início chegou
a receber verbas federais, mais isso durou pouco tempo, ao longo de sua
história teve que procurar ajuda a instituições privadas e ajuda do povo.
Mario Kroff e seus diretores sempre procuravam aumentar o
asilo para receber mais pessoas com a doença em estágio terminal, mas ao longo
dos anos, eles queriam transformar aquele asilo em um local que também pudesse
tratar e curar a doença. Então em 1953 iniciou uma grande reforma e nesse mesmo
ano o asilo se transformou em uma unidade hospitalar e em 1969 ampliada mais
uma vez e ganha a capacidade até para fazer cirurgias.
UMA LEGIÃO DE MULHERES

A Legião Feminina é uma entidade particular fundada em 1951, que sempre caminhou lado a lado com o hospital, auxiliando por meio de doações, realização de eventos beneficentes para arrecadação de fundos e também contribuindo com a mão de obra da instituição.
A revista Fon-Fon, de 1º de setembro de 1956, destacou um grande evento promovido pelas mulheres na luta contra o câncer de mama. O objetivo da campanha era ensinar mulheres mais pobres a identificarem nódulos que poderiam indicar a doença. Além disso, foram realizadas palestras para conscientizar e alertar a população em geral.
O jornal A Tribuna, de 22 de dezembro de 1993, noticiou que a Legião conseguia manter, com muito esforço, a ala destinada ao tratamento de crianças, ressaltando também a importância das doações para a continuidade desse trabalho.
A Legião sempre participou ativamente das atividades do hospital. Integrantes da entidade participavam constantemente de programas na Rádio Tupi, promoviam festas no Ramos Tênis Clube, em Bonsucesso, entre outros eventos, com o objetivo de arrecadar fundos para o hospital. Também realizavam cursos e campanhas educativas sobre o câncer, consolidando-se como uma importante parceira da instituição.

VIVENDO DE DOAÇÕES
Como já
descrevi, o hospital sempre viveu de doações e infelizmente devido à falta de
apoio da parte pública, já quase fechou as portas algumas vezes. Lions, Rotary,
Vasco, Flamengo, Zico, todo famoso ou grande organização já ajudou um pouco o hospital.

Inúmeros exemplos foram citados nos jornais de outras épocas, mostrando como é interessante ver a mobilização das pessoas sempre dispostas a ajudar o hospital. A instituição já recebeu apoio da Associação Brasileira de Administradoras de Imóveis, com a doação de C$ 3.020.000,00 (três milhões e vinte mil cruzeiros). O presidente militar Médici também prometeu ajuda ao hospital.
Outro presidente militar que colaborou com a instituição foi Castelo Branco, que determinou que o camarote oficial do baile de gala de carnaval de segunda-feira fosse vendido, e toda a arrecadação destinada ao hospital.
Em 1956, a Rádio Tupi promoveu um grande show beneficente em favor do hospital, com a presença de artistas como Cauby Peixoto e Emilinha Borba, entre outros (Revista Rádio, 1956).
No ano de 1985, a Light realizou uma campanha de arrecadação por meio da conta de luz. Já em 1983, segundo o periódico O Fluminense, a Prefeitura de São Gonçalo fez uma importante contribuição ao hospital, promovendo uma campanha de arrecadação através do IPTU.
Quem ler este pequeno artigo, procure o hospital e faça uma doação. Pode ser roupa, produto de limpeza, dinheiro ou até mesmo uma visita aos doentes. O local ajuda a salvar milhares de vidas e precisa do apoio da população. Vamos contribuir.
BERNADETE, QUE EXEMPLO
Paciente mais conhecida do Hospital Mario Kroeff, a professora Bernadete foi um exemplo de luta contra o câncer e uma grande ajuda aos outros pacientes.
Durante três anos, foi muito comum ver reportagens sobre essa mulher guerreira. Ela foi internada para tratar um câncer, mas foi muito além disso. Vinda do Nordeste em busca de tratamento para sua doença, tornou-se conhecida por propagar sua fé e ajudar outros pacientes no hospital.
Ela entrou no hospital no dia 1º de setembro, acompanhada de sua irmã, Pepita, que estava ali para ajudá-la. Rapidamente, ficou conhecida por sua força de vontade e fé inabalável.
Como uma boa pernambucana, nunca deixou de pensar em seus conterrâneos. Criou uma campanha para construir um hospital de tratamento contra o câncer em Pernambuco, campanha essa que ganhou repercussão nacional.

MESBLA TAMBÉM AJUDOU BASTANTE

A LEGIÃO FEMININA SEMPRE ATUANTE

HOSPITAL PRECISA DE AJUDA

DE ASILO A HOSPITAL EXEMPLAR

APARELHO CUSTA CARO

O HOSPITAL PEDE SOCORRO

ZICO AJUDA O HOSPITAL
CANCEROSOS INDIGENTES ABANDONADOS PELA FAMÍLIA