quarta-feira, 21 de abril de 2021

CAMPEÃO DE 1926- SÃO CRICRI SE TORNA GRANDE!
Nesse novo artigo , irei abordar a história apenas do campeonato carioca de 1926, que é o astro tema, a história do clube deixarei para outra oportunidade. Vamos abordar algumas histórias e curiosidades sobre o único título do São CriCri , que hoje luta para voltar ao cenário carioca. O intuito desse artigo é resgatar a memória desse campeonato e que possamos de alguma forma ajudar na vaquinha virtual que está ocorrendo, para melhorias do estádio , para que novamente o São CriCri possa mandar seus jogos lá e o público se sinta mais confortável e confiante na disputa do título da série C do carioca , equivalente a 5 divisão e segundo reportagem do GLOBO.COM do dia 10-03-2021, a diretoria pediu licença para não disputar o campeonato devido a problemas financeiros e de estrutura. Vamos ajudar galera!
Vamos contextualizar o clube no cenário futebolístico do ano 20, que me parece que foi um período dourado. Antes do grande momento que foi em 1926, o São Cristovão já vinha de participações importantes em cariocas anteriores. Nos campeonatos de 1918, 1923 e 1924, o clube ficou em terceiro lugar geral e em 1925 em sexto, e em 1929 ,voltando a ficar me 3 lugar tendo Vasco como campeão, assim mantendo –se entre os 6 primeiros e alcançando um bom nível de futebol . Detalhando um pouco mais esses campeonatos, vamos ver as campanhas ano por ano!
1918-Campeão Fluminense Campanha do São Cri Cri :18 jogos , 12 vitórias,2 empates, 4 derrotas,49 gols pró, 26 gols contra. 1923-Campeão Vasco Campanha São Cri Cri :14 jogos,8 vitórias, 2 empates ,5 derrotas,34 gols pró, 23 gols contra. 1924-Campeão Fluminense – campeonato organizado pela AMEA São Cri Cri : 14 jogos,6 vitórias, 4 empate, 4 derrotas, 30 gols pró, 25 gols contra. Então o começo do ano de 1926 se tornou promissor e a diretoria com esperança de conseguir uma campanha melhor, mesmo com a volta do Vasco a disputa que já era um clube consolidados e ainda teria a disputa contra os favoritos Flamengo, Botafogo e Fluminense. Mas a trajetória não foi bem assim, pois logo nos primeiros dias do ano, o clube perdeu um dos seus principais jogadores Nesi que tinha defendido a seleção brasileira entre os anos de 1923 e 1924 se transferiu para o Vasco. Mas o Cri Cri tinha um triunfo no banco: Luis Vinhares! Funcionário do clube a mais de 10 anos, prestando serviço como jogador e técnico apesar dos apenas 29 anos, tinha uma visão de jogo a frente do seu tempo , discípulo de Ramón Platero, técnico do Vasco campeão de 1923 e 1924, Luis teve que se readaptar com a saída do craque Nesi, então armou sua equipe no tradicional 2-3-5, mas com uma diferença que ajudaria a levar ele ao sucesso: repetiu o método de treinamento do Ramón , baseado no discurso motivacional e no treinamento físico e muito puxado, apenas ele e Ramón usava esse tipo de treino, puxado mais para um treinamento militar do que de futebol, e como todos os outros times amadores não faziam o mesmo, chegavam no segundo tempo em desvantagem física comparado ao time do bairro Imperial.
Outra ajuda que seria de extrema importância seria do Industrial Àlvaro Teixeira Novaes. Numa época de futebol ainda amador, todo jogador tinha seus empregos e uma “vida normal”, o Vasco quebra um pouco isso pagando um “bicho” aos jogadores, isso literalmente, dando a eles gansos, galinhas, gambás, porcos, etc... Como forma de pagamento pelos serviços prestados. O Àlvaro observou isso e resolveu também se utilizar da mesma forma e pagando esses “bichos” ajudaram os jogadores e com isso eles começaram a jogar melhor e menos preocupados com o dia a dia. O campeonato de 1926 seria marcado pelo vigor físico e pelo futebol superior de São Cristóvão e Vasco ( 1 e 2 respectivamente) , o que assustou os clubes ditos favoritos, outros acontecimentos que foram marcante foi o inícios das invasões de campo. Nesse ano, o futebol já começava a mexer com o brilho e a emoções dos torcedores, e várias partidas tiveram invasões de campo, torcedores enfurecidos partiam para cima do juiz para “meter a porrada” no pobre homem, inclusive uma dessas partidas decidiram o campeonato!
O jogo entre São CriCri e Flamengo marcaria a maior confusão e polêmica daquele campeonato. Em um determinado momento do jogo, mais precisamente aos 18 minutos do segundo tempo, o Flamengo vencia o jogo por 3x1 em seu campo na Rua Paysandu, quando o juiz marcou um pênalti a favor do clube de São Cristovão, um torcedor enfurecido e tentou agredir o juiz , jogadores, dirigentes e outros torcedores iniciaram uma briga generalizada e não foi possível terminar a partida do dia 1 de agosto. A ideia era reiniciar uns dias depois da onde parou, mas os debates se iniciaram e só foi resolvido dois meses e a partida foi remarcada para o dia 21 de novembro , mais um detalhe chama a atenção : o campeonato tinha terminado a um mês , se o São Cristóvão perdesse, o Vasco seria campeão, em caso de vitória o time seria vencedor do título e foi o que aconteceu, um sonoro 5x1 foi feito e o time erguei o troféu.
FICHA COMPLETA DO CAMPEONATO . Informações retiradas na íntegra do site : https://historiadofutebol.com/blog/?p=1168 1° Turno 1) 04-04 – Na R. Figueira de Meio. 4×4 Botafogo Gols de S. Cristóvão: Octávio “Jaburu” (3), Vicente (2) e Artur “Baianinho 2) 18-04 – Nas Laranjeiras, 2×6 Fluminense Gols: Baianinho e Octávio “Jaburu 3) 21-04 – Na R. Campos Sales, 3×2 Vila Isabel Gols: Vicente (2) e Baianinho 4) 25-04- Na R. Paissandu, 2×1 Vasco Gols: Henrique e Octávio “Jaburu” 5)16-04 – Na R. Figueira de Melo, 5×0 Flamengo Gols: Vicente (2). Octávio “Jaburu”, Baianinho e Osvaldo 6) 23-05 – Na R.Figueira de Melo, 8×2 Sport Club Brasil Gols: Osvaldo (3). Vicente (2). Teófilo (2) e Octávio “Jaburu” 7) 30-05 – Nas Laranjeiras, 3x 1 Syrio e Libanez Gols: Osvaldo (2) e Baianinho 8) 13-06 – Na R. Figueira de Melo. 2×2 Bangu Gols: Vicente e Teófilo 9) 20-06 – Na R. Campos Sales. 3xl América Gols: Baianinho, Teófilo e Octávio “Jaburu”
2° TURNO 10) 27-06 – Na R. Gen. Severiano, 4×3 Botafogo Gols: Octávio “Jaburu”(2), Baianinho e Vicente 11) 04-07 – Na R. Figueira de Melo, 4×2 Fluminense Gols: Vicente (3) e Doca 12) 14-07 – Na R. Figueira de Melo, 2×3 Vasco da Gama Gols: Teófilo e Vicente No jogo aconteceu muita confusão, fruto da rivalidade entre torcedores dos Clubes (o Vasco já havia adquirido um terreno no bairro para construção de seu Estádio e Sede). Vicente desperdiçou um penalty decepcionando os sãocristovenses e novas confusões ocorreriam, sobressaindo uma torcedora do São Cristóvão chamada Eusébio. Os jornais narraram o fato. 13) 18-07 – Na R. Figueira de Melo, 2×1 Vila Isabel Gols: Vicente (2) Em 01-08 ocorreu o jogo com o Flamengo que posteriormente haveria de ser anulado, a pedido do próprio Flamengo. O placar estava 3×1 Flamengo, quando por volta dos 18’do 2° tempo o árbitro Ciro Werneck marcou penalty a favor do S. Cristóvão. Estourou um grande conflito com agressão ao árbitro e com a torcida do flamengo impedindo a cobrança da infração. O jogo foi interrompido e houve uma decisão de recomeçar com o penalty em outro dia, com portões fechados ao público. O Flamengo não concordou, e foi jogado em 21-10 como veremos. 14) 08-08 – Na R. Gen. Severiano, 6×0 Brasil Gols: Vicente (2), Octávio “Jaburu” (2), Baianinho(2 ) 15) 15-08 – Na R. Figueira de Melo, 7×5 Svrio e Libanez Gols: Baianinho (2), Teófilo (2). Henrique. Vicente e Octávio. 16) 12-09 – Na R. Ferrer. 2×0 Bangu Gols: Vicente e Baianinho 17) 19-09 – Na R. Figueira de Melo, 4×4 América Gols: Vicente (2). Baianinho e Octávio “Jaburu” 18) 2 1-09 – Na R. Paissandu, 5×1 Flamengo Gols: Vicente (3) e Octávio “Jaburu”(2)
Os 70 gols marcados ficaram assim distribuídos entre os jogadores: Vicente = 25 Octávio “Jaburu” = 16 Baianinho = 13 Teófilo = 7 Osvaldo = 6 Henrique = 2 Doca = 1 A Diretoria da época era constituída pelos seguintes nomes: Presidente: Amadeu Macedo Vice: Oscar Valim Diretores: Adélio Martins, José Maria de Melo Castelo Branco e Manoel Ignácio Pimentel Colaborador da Campanha: Álvaro Teixeira Novaes Técnico: Luis Vinhaes É importante ressaltar que o próprio livro de Mário filho cita como presidente o Sr. Álvaro Novaes, mas felizmente as atas do ano 1926 estão intactas e nela vemos Amadeu Macedo como Presidente. Esse é um reparo que o livro faz.
OS CAMPEÕES O São Cristóvão utilizou apenas 15 jogadores. O time base foi: Paulino: Póvoa e Zé Luiz; Julinho, Henrique e Alberto; Osvaldo, Jaburu, Vicente. Baianinho e Teófilo. Os outros 4 utilizados foram: Doca, Mendonça, Martins e o Luis Vinhaes (que também era técnico). Eis os nomes completos: Paulino Cataldo – 18 jogos Octávio de Menezes Póvoa – 17 Jogos José Luis de Oliveira – “Zé Luis” – 18 jogos Judo Castilho de Faria – “Julinho” – 18 jogos Henrique Carneiro – 17 jogos Oswaldo Affonso de Castro – Osvaldo “Manobra- – 17 jogos Octávio de Oliveira – Octávio “Jaburu” – 18 jogos Vicente Alves de Oliveira – 18 jogos Artur dos Santos – Artur “Baianinho” – 18 jogos Theóphilo Bethencourt Pereira – Teófilo – 18 jogos Álvaro Martins – 2 jogos Alfredo de Almeida Rego – “Doca” – 2 jogos Eduardo Medeiros Mendonça – 1 jogo Luís Vinhaes – 1 jogo
Galera, vamos participar da campanha São Cristovão de Volta para casa, um grupo de torcedores iniciou uma bela campanha para arrecadar um valor que será todo empregado na estrutura do Estádio, vamos participar: www.kickante.com.br/saocristovao
FONTES: VÍDEO NO YOUTUBE COMEMORANDO 90 ANOS DESSE TÍTULO: 1-https://www.youtube.com/watch?v=0RdSMJacb9M 2- ocuriosodofutebol.com.br 3-cadernodosesportes.com.br 4-https://acervo.oglobo.globo.com/ 5-saocritovaooficial.com.br 6-historiadofutebol.com 7-tivela.com.br

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Ana Nery

UMA NOVELA CHAMADA “VIADUTO ANA NERY” Num país sério como o Brasil, é inadmissível que um viaduto leve mais de 20 anos para ser construído. Entre idas e vindas, desvios de dinheiro, brigas de governo e reclamações, o famoso viaduto Ana Nery virou uma verdadeira novela começando no governo Dutra e terminando apenas com JK, vamos ver os resumos dos capítulos? Era um sonho antigo dos moradores da região, uma passagem para o outro lado do bairro, uma reivindicação levada por representantes a diferentes prefeitos da cidade. Mesmo sendo o Distrito Federal, a cidade do Rio sempre apresentou problemas como infraestrutura, problemas sócias, problemas com enchentes e a expansão da cidade de modo desenfreado. Mas a luta foi vencida e em 1946, a pedra fundamental foi lançada. Com a presença do Presidente Dutra e do prefeito Hildebrando e outros “papagaios de pirata”, iniciou a construção do que seria um moderno viaduto sob a linha férrea . E olha que interessante, a pedra fundamental foi lançada na data do meu aniversário, 3 de dezembro de 1946.
Na cerimônia , o secretário de Viação profanou algumas palavras e uma placa foi lançada em comemoração ao feito e em homenagem a comissão de melhoramentos do bairro do Jacaré, será que essa placa ainda está la?
Em1952, viaduto pronto? Não ! Só reclamação da imprensa e povo. Considerada uma obra que beneficiaria toda a região, o viaduto estava retornando as obras que se encontravam paradas. Esse viaduto era de extrema importância, pois desde 1945, as linhas férreas passaram a ser elétricas e muros foram construídos ao redor das mesmas e as cancelas estavam sendo retiradas aos poucos, mas como as obras da região estavam paradas e com o muro construído , a população local reclamava da “volta” que deveriam dar para se chegar ao outro lado. Foi realizado um novo orçamento e ficou estimado em 11 milhões de Cruzeiros, o dobro do custo inicial aprovado a anos atrás.
Aleluia!!! 1956 chegou gente, o viaduto vai sair, depois de 10 anos de obras... O Prefeito já era o Negrão de Lima, o presidente JK e parece que já estava tudo armado para sair do papel. Diversas administrações passaram e todas apresentaram mais problemas que soluções para o caso, mas finalmente seria possível resolver o problema. O total da obra consumiu 120 mil sacos de cimento , Três mil toneladas de vergalhões num viaduto de 450 metros comprimento e 18 de largura , o que essa obra consumiu de vergalhão e concreto que daria para construir uma estrada do RIO A BUENOS AIRES. Juntando todos os contratos, esse pequeno viaduto custou aos cofres públicos C$23.452.775 milhões de cruzeiros. As causas de tantos atrasos formam os básicos aplicados no Brasil: desvio de verbas e uso da obra como palanque político , muita promessa e pouca efetividade. Mas o viaduto estava pronto e foi realizada uma grande festa com presença de Negrão de Lima, Jk que andou de bonde e fez um belo discurso . O povo se juntou para ver o novo viaduto e o presidente, que andou de bonde, inaugurou outros viadutos e fez um discurso em cima do Ana Nery, em setembro de 1956.
Agora tudo daria certo ... Ou não !
Pasmem os senhores... N dia 2 de março de 1957, reportagens da TRIBUNA DE IMPRENSA E REVISTA DA SEMANA, noticiavam o perigo de desabamento do viaduto. Segundo as reportagens, JK queria a obra pronta o mais rápido e de qualquer jeito, para que fosse entregue para a população um conjunto de obras , mas o tráfego intenso de caminhões pesados provocaram fendas na estrutura e infiltração de água da chuva, fora que o viaduto treme mais que o normal .As autoridades foram procuradas , mas todas negaram. O Viaduto passou por reformas apenas com Carlos Lacerda em 1964.

sábado, 20 de março de 2021

VIVA A PENHA!
Gostamos sim de falar da Penha e mostrar as diversas fases que passou nosso bem histórico. As fontes e informações não se esgotam e sua história é riquíssima e quanto mais você escreve, mais aparecem informações. Falar do seu surgimento da igreja e passar pela sua história por inteiro não é a intensão desse texto, mais sim reescrever um texto de um jornalista da época, com as mudanças necessárias para o leitor viajar pelo ano do texto. Escrito por Escragnole Dória para a REVISTA DA SEMANA DE 20 de outubro de 1928 , mostra a importância da festa da Penha, comparando-a a outra festa em importância- a Festa de Nossa Senhora da Glória do Outeiro. Vamos viajar nesse maravilhoso texto com a adaptação de quem vos escreve. Claro que vou usar os conhecimentos de outras pesquisas para acrescentar informações a fim de deixar o texto mais rico.
“O Rio de Janeiro antigo, anualmente tem duas festas que podemos destacar pela sua importância: A festa da Nossa Senhora da Glória do Outeiro e da Nossa Senhora da Penha. A primeira sempre foi elitizada e a segunda mais popular, voltada para os mais pobres, só pelo povo. VIVA A PENHA! A festa enchia o arraial e agora enche o bairro com milhares de pessoas vindos de todos os lugares da cidade. Ambas as festas homenageia a mãe de Cristo e protetora do Brasil. Um fato sempre marcante na festa da Penha é sua procissão, um ato de fé e ruído, piedade e desmando. A gente humilde que participa anda pelas ruas com um profundo respeito, em oração e profanando a fé católica, pedindo uma cura, uma benção ou simplesmente uma vida melhor.
Seja homem ou mulher, cada um tinha uma razão para festejar. Numerosas mulheres haviam invocado a Virgem nos “lances” mais apertados da vida, sobretudo na gestação e na hora do parto. “Valha-me Nossa Senhora”, suplica essa que partia das bocas de suburbanas e de outras regiões da cidade. O apelo para a mãe de Cristo trazia paz e calma nessas horas de dor e dificuldade. Os homens festejam a Penha de outro modo, alguns com o fervor , outros alucinados de amor ao vinho e se engraçando com as bela negras , era nesse momento que os escravos se tornavam senhores e carregavam seus “donos” em direção ao barco ou carruagem .
Inúmeros casais agradeciam a Nossa Senhora pelos anos maravilhosos, levavam moedas para ofertar para as obras da igreja. Era muito comum o povo fazer “um pé de meia” para conseguir custear os gastos no período da festa, além das barracas montadas, era comum ambulantes venderem de tudo para participar da festa. A festa da penha atraia o pobre, o povão, fazendo com o que suas habitações aos domingos de outubro ficavam vazias, pois toda família passada o dia todo no velho arraial, e o povo que podia pagar ficava em estalagens, casas de cômodos, cortiços, casebres, tugúrios e alforjas.
Quando ainda não existia a linha férrea ou de bondes, para se chegar a PENHA ou por barco descendo em Maria Angú e ai montando em carroça ou cavalos , a pé ou carroças puxadas a bois, cavalos ou burros e com um dificuldade imensa , pois as poucas estradas eram mal conservadas. Quem pudesse pagar contratavam serviços de carro de duas parelhas, ornamentado com vistosa colcha de renda ou de crechet, verdadeiras carruagens. Os romeiros se espalhavam por todo o arraial, as poucas ruas abertas, aos arredores do morro , perto das propriedade do Lobo Jr, o evento de outubro poderia ser comparado as grandes festas atuais , eram tantas as pessoas que o Padre Ricardo mandou abrir uma rua em homenagem aos romeiros e para ajudar a guia-los em direção ao largo da Penha. Policiamento sempre existiu, sendo civil ou militar, tomavam conta do local e afastavam os bandidos e os capoeiras, que representavam uma ameaça, mas esse quadro dos capoeiras mudaria devido a atuação do Padre Ricardo que não apenas admitiu eles na festa ,mas como ajudou o mesmo com roupa, comida e lugar para dormir. As escadas eram o espaço mais democrático da igreja, pessoas se aglomeravam sem diferença de cor, raça ou situação financeira, uns pagando promessa, outros pedindo esmolas e até os bêbados procurando um apoio. Todos buscavam demonstrar primeiro sua fé, para depois desfrutar a festa com muita música, comida e compra de produtos. A musicalidade da festa sempre foi um dos pontos altos, antes combatida, a música negra foi aceita e incorporada e fez parte muitos anos das festividades, retirada no início do século XX, acabou voltando depois. Que possamos todos nos unir para resgatar combalida festa que atualmente sofre com o esvaziamento e a falta de investimento.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

IGREJA DA PENHA NO ANO DE 1950- FOTOS DE UM POVO DE FÉ!
ROMEIROS VINDO DA COMUNIDADE DE MARIA ANGU, VALE TUDO PELA FÉ A fé sempre foi um dos pontos forte do suburbano. Criado em meio as dificuldades do dia a dia, recorrer a um poder divino é quase que cultural para nossos moradores. Católicos, evangélicos, espiritas, cultos afro-brasileiros e tantas outras crenças arrastam milhares de pessoas todos os dias para seus locais de adoração.
A ESMOLA ,A DANÇA - TRISTEZA E ALEGRIA HABITANDO NO MESMO LUGAR Festas religiosas é o que não falta na zona Leopoldinense . Quem nunca foi nas festas da Santo Antônio do Quitungo , da Igreja de Santa Cecília em Braz de Pina, da Bom Jesus da Penha ou da São Sebastião de Lucas ? Todas elas com sua importância e que são aguardadas durante todo o ano. Mas hoje eu irei abordar com fotos maravilhosas, a festa religiosa mais tradicional do subúrbio ,a Festa da Penha. Toda informação e foto extraídos para a construção do texto foram tirados do periódico “REVISTA DA SEMANA” de 1950, que mostra a festa por vários aspectos, da celebração da festa, da fé, do pedido de esmola e da “malandragem de alguns”. Os romeiros partiam de todos os lados, zona norte, zona sul, de carroça, barco ou em cima de caminhão, o “lance” era chegar à festa da Penha, celebrar a fé e curtir uma boa música e comida.
Nessa época a Penha ainda era conhecida como região agreste- termo usado pelo periódico- o que faz todo o sentido, já que nessa época ,apesar dos avanços estruturais e com industrias em seus terrenos, a Penha ainda conseguia preservar o ar do campo com locais ainda de presença forte desse tipo de natureza.
A igreja imponente em cima da colina, com seus 365 degraus era de fácil chegada , menos quando chovia , que os acesso se resumiam a apenas um : pela rua Nossa Senhora da Penha, os caminhos em volta do morro ficavam impossíveis de passar .O jornal descreve como as pessoas, em todos os dias do ano, sobem em direção a igreja e clamam pelo poder divino , muitos subiam as escadas duas vezes por ano, uma para pedir e outra para agradecer .
“Nacionais, estrangeiros, brancos, “pretos”, ricos e pobres, não há distinção de classes, não há diferença de sorte. Enquanto uns vão em busca do milagre, outros vão para se divertir, e assim é a vida ... Mas o que permanece é a fé católica”. Abdias Rodrigues – repórter. As fotos que se seguem mostram um pouco de como é a veneração do povo , como a fé trás pessoas de longe para saborear a vista e rezar por quem ama.
UM BEM PERDIDO : HOSPITAL SÃO SEBASTIÃO
ENTRADA PRINCIPA DO HOSPITAL Um hospital abandonada que poderia ajudar de mais a população carioca, já foi referencia para tratamento de doenças graves e hoje não passa de um local abandonado graças ao governo do estado. Hoje apresento a todos o HOSPITAL SÃO SEBASTIÃO, EM TODA SUA GLÓRIA.
Até 2017, ele abrigava pacientes com casos de febre amarela, mas suas instalações estavam resumidas a um prédio velho com poucas condições de uso. Com mais de 130 anos de história, hoje funciona no quarto andar do Hospital dos Servidores. Inaugurado ainda no Reinado de D. Pedro II com uma festa monumental, já teve 500 leitos e foi sistematicamente desmontado até que 2008 foi retirado do local e passou por 3 locais antes de se estabelecer nos servidores. O que resta lá –até 2017- são instalações antigas, com “pacientes moradores” que sobrevivem num local sem condições e abandonado pelo governo do estado. Mas a intenção do texto é mostrar o hospital nos seus melhores dias, quando ele ficava de frente a praia do Retiro saudoso no Caju e que cuidava da população mais pobre. As fotos e a base do texto foram retiradas do periódico “VIDA DOMESTICA DE 1930”.
Mesmo em meio a uma crise grave financeira e industrial, o governo carioca conseguiu realizar uma grande obra e inaugurar ou reinaugurar um hospital de excelência na cidade. Com “mãos a obra” e em meio a dificuldades, a façanha do governo foi digna de aplausos e de felicidade para a população, não apenas do Caju, mas para toda a cidade. A melhora das instalações é percebida por todos. A saúde pública sempre foi considerada um problema enorme no Brasil e o VIDA DOMESTICA está fazendo uma serie de matérias mostrando as condições dos hospitais públicos do Rio de Janeiro e logo na primeira visita se surpreendeu com o que viu. O hospital fica na colina de frente a praia do Retiro Saudoso no Caju e com uma bela vista, uma brisa suave um pôr do sol magnífico, ajudava no tratamento e os pacientes ficavam mais calmos. P presidente da república ressalta a importância do local e disse que não houve comprometimento da verba.
O plano compreende em 12.313 metros, com 17 novos pavilhões, isso sem contar com as residências dos empregados, instalações novas com duas cozinhas, raio x , caminhos bem cimentados para livre andar dos pacientes ,dois reservatórios gigantes de água com capacidade total de 60 mil litros de água , escola de enfermagem com ENFERMEIRAS – apenas mulheres – diplomadas pela Escola ANNA NERY. Um complexo moderno com luz elétrica e telefone instalado em todos os prédios e uma eficaz rede de esgoto para tratamento da água. O pavilhão de Isolamento para doenças infectuosas tem 108 leitos novos e confortáveis , com um rigor técnico jamais visto em outra instalação hospitalar e com os melhores aparelhos.
Vamos pensar o seguinte: Estávamos vivendo as consequências da crise de 1929, o mundo quebrado e com sérios problemas, mas o governo brasileiro conseguiu , de alguma forma, reformar e transformar o hospital São Sebastião um complexo novo . E como hoje, não conseguimos nem chegar perto ao que era feito no passado? Segundo reportagens de 2015, apenas um pavilhão ainda funcionava com alguns pacientes residentes e o resto do terreno foi invadido e transformado em favela. Na área onde atualmente estão os invasores, há um projeto para a construção de um conjunto habitacional.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

PEDRO ERNESTO E AS 10 ESCOLAS!
Em 1934, o então prefeito Pedro Ernesto anunciou a construção de 10 escolas em diferentes lugares de nossa cidade, inclusive participou do lançamento da pedra fundamental de todas elas.
“Não quis construir tão somente alguns prédios que marcasse a administração atual, mas apontar a solução total e oferecer uma demonstração de como pode ser a mesma executada em toda sua extensão, se houver continuidade de orientação e ação” PEDRO ERNESTO.
LANÇAMENTO DA PEDRA FUNDAMENTAL EM CAMPO GRANDE Segundo o periódico, esse ano o prefeito estava fazendo uma série de obras pela cidade, incluindo escolas que era um dos grandes problemas. Claro que de uma forma tendenciosa, o jornal “rasga” elogios para o prefeito e todos os políticos que o cercava, devido ao trabalho realizado por toda a cidade.
A COMITIVA EM BRAZ DE PINA
MARIA DA GRAÇA
MARIA DA GRAÇA
REALENGO
PRAÇA BELMONTE OLARIA
RUA ABELARDO LOBO
RUA CORONEL RANGEL CASCADURA