terça-feira, 3 de novembro de 2026

UMA MORTE TRÁGICA

TRAGÉDIA NO FUTEBOL ESPANHOL: JESÚS DE MIGUEL MORRE AOS 30 ANOS APÓS CHOQUE EM PARTIDA
O futebol espanhol está de luto. O atacante Jesús de Miguel, de 30 anos, morreu após sofrer uma grave colisão durante a partida entre Tenerife e FC Andorra, válida pela LaLiga Hypermotion, a segunda divisão do Campeonato Espanhol. O jogador foi encaminhado em estado crítico ao Hospital Universitário Nuestra Señora de Candelaria, em Santa Cruz de Tenerife, mas não resistiu às complicações decorrentes de uma parada cardiorrespiratória sofrida ainda no gramado.

O episódio aconteceu no segundo tempo da partida, quando De Miguel avançou em direção a uma bola lançada na área adversária e se chocou violentamente com o goleiro Jesús Owono, do FC Andorra. Com o impacto, o atacante caiu desacordado, provocando imediatamente a preocupação dos jogadores e das equipes técnicas.

Diante da gravidade da situação, o árbitro Manuel Ángel Pérez Hernández expulsou o goleiro. As equipes médicas entraram rapidamente em campo e iniciaram os procedimentos de reanimação. Na sequência, o jogador foi transportado de ambulância para uma unidade hospitalar.

A comoção tomou conta do estádio. Atletas das duas equipes acompanharam apreensivos o atendimento, enquanto a partida, que estava empatada em 2 a 2, foi definitivamente suspensa.

Apesar dos esforços da equipe médica durante a madrugada, Jesús de Miguel não resistiu. A confirmação do falecimento foi feita pelo Tenerife, provocando manifestações de pesar no futebol espanhol.

A morte do atacante ganha contornos ainda mais dolorosos pelo fato de ele ter completado recentemente 30 anos e se tornado pai há pouco tempo.

INVESTIGAÇÃO

Após a confirmação da morte, autoridades policiais e judiciais espanholas iniciaram procedimentos para apurar as circunstâncias do acidente. A investigação deverá analisar as imagens da partida e os acontecimentos que antecederam a colisão.

A tragédia reacende o debate sobre os riscos físicos enfrentados pelos atletas profissionais e a importância da assistência médica imediata em situações de emergência dentro dos gramados.

O futebol, que tantas vezes reúne multidões em torno da alegria e da paixão pelo esporte, volta a enfrentar um de seus momentos mais dolorosos: a perda de um atleta ainda jovem.

Historiador Paulo Jorge 

O Descaso com Nilton Santos

O DESCASO COM O NILTON SANTOS...


UMA LENDA ESQUECIDA EM UMA GAVETA

Onde nossos heróis encontram o descanso eterno? Onde repousam aqueles que marcaram a história do Brasil? Ao caminharmos pelos cemitérios do Rio de Janeiro, encontramos verdadeiras obras de arte: monumentos que se tornaram moradas eternas daqueles que escreveram a história do nosso país, nas mais diversas áreas.

Mas a história não é escrita apenas por grandes reis, governantes e heróis consagrados. Ela também é construída pelos derrotados, pelos soldados e pelas pessoas comuns, muitas vezes esquecidas pelo tempo. Essa perspectiva ganhou força no início do século XX, com a Escola dos Annales, que ampliou os horizontes da historiografia e trouxe novas vozes para a construção do conhecimento histórico.

Entretanto, hoje não vou falar de um personagem desconhecido ou de alguém que teve pouca importância para a nossa história. Pelo contrário! Quero trazer à tona o descaso e a falta de cuidado com a morada eterna de um dos maiores laterais que já pisaram neste planeta: Nilton Santos, a Enciclopédia do Futebol, cuja memória merece muito mais do que uma simples gaveta no Cemitério São João Batista.

Nilton Santos foi um homem de uma só camisa: a gloriosa camisa do Botafogo. Pelo clube, disputou 723 partidas e construiu uma trajetória que o eternizou entre os maiores ídolos da história alvinegra.

Pela Seleção Brasileira, disputou quatro Copas do Mundo e conquistou dois títulos mundiais, em 1958 e 1962.

Mais do que um jogador extraordinário, Nilton Santos revolucionou a posição de lateral. Rompeu os limites de uma função tradicionalmente defensiva e mostrou que um jogador daquela posição também poderia avançar, apoiar o ataque e participar ativamente da construção das jogadas.

Na Copa do Mundo de 1958, protagonizou um lance histórico contra a Áustria, quando arrancou com a bola desde o campo de defesa e avançou até marcar um golaço, demonstrando uma visão de jogo e uma capacidade ofensiva muito à frente de seu tempo.

Estamos falando de um gigante do futebol mundial! Um homem reconhecido entre os maiores jogadores brasileiros de todos os tempos e considerado pela FIFA uma referência histórica na posição de lateral-esquerdo.

Nilton Santos faleceu em 2013, aos 88 anos, em decorrência de complicações relacionadas ao Alzheimer. Deixou para trás uma história de conquistas, talento e dedicação ao futebol brasileiro.

E é justamente aqui que surge uma pergunta incômoda.

Nos últimos anos, vimos o Botafogo passar por uma transformação financeira com a chegada da Sociedade Anônima do Futebol (SAF), movimentando milhões de reais na contratação de jogadores e na construção de novos projetos para o clube. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), por sua vez, também movimenta cifras bilionárias.

Diante dessa realidade, fica a pergunta: será que essas duas instituições não poderiam unir esforços para destinar R$ 10 mil, R$ 20 mil ou R$ 30 mil à construção de um memorial digno para um dos maiores jogadores da história do nosso futebol?

Não estamos falando de um jogador qualquer. Estamos falando de Nilton Santos! Um atleta que vestiu a camisa do Botafogo por toda a carreira profissional, defendeu o Brasil em quatro Copas do Mundo e ajudou a transformar a maneira como o futebol era jogado.

Seu nome está eternizado na história do esporte. Seu legado ultrapassa as fronteiras do Brasil. No entanto, sua morada eterna não parece refletir a grandeza de sua trajetória.

É doloroso pensar que um homem que proporcionou tantas alegrias a milhões de torcedores tenha como última morada um espaço tão simples, sem a homenagem que sua contribuição ao esporte poderia justificar.

O Botafogo deveria tomar a iniciativa. A CBF também poderia participar. Afinal, preservar a memória de nossos grandes atletas não é apenas uma questão de reconhecimento: é um compromisso com a história do futebol brasileiro.

Não se trata de defender luxo ou ostentação. Trata-se de respeito, gratidão e preservação da memória. Um memorial digno permitiria que torcedores, pesquisadores e admiradores visitassem o local, prestassem suas homenagens e conhecessem melhor a trajetória de um homem que ajudou a construir a grandeza do nosso futebol.

A história não termina quando uma pessoa morre. Ela continua viva nas lembranças, nos documentos, nas fotografias, nos livros e nos lugares que preservam sua memória.

Mas, quando não cuidamos desses lugares, corremos o risco de transformar nossos heróis em nomes esquecidos, escondidos nas páginas de um livro ou, como neste caso, em uma gaveta de cemitério.

Nilton Santos não foi apenas um jogador de futebol. Foi um revolucionário da bola, um símbolo do Botafogo e uma das grandes figuras da história esportiva brasileira.

Uma lenda dessa magnitude merece mais do que o esquecimento.

Merece respeito. Merece reconhecimento. Merece que sua história continue sendo contada às próximas gerações.

E, acima de tudo, merece uma morada eterna à altura de sua grandeza.

Porque um país que não preserva a memória de seus heróis corre o risco de esquecer a própria história.

HISTORIADOR PAULO JORGE 

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Indígenas e seus rituais

Os indígenas e a antropofagia


Esse texto nasce devido a um comentário de uma nova deputada de São Paulo que, em um podcast, disse que todas as tribos indígenas comiam seus inimigos e deu graças a Deus porque os colonos vieram. Então, vamos por partes, né?

É inegável dizer que o Brasil foi achado. O termo “descobrimento” caiu em desuso devido ao entendimento de que já existiam pessoas aqui. Então, se já existia uma civilização, o fator “descoberta” está errado.

Pois bem, respeitando ao máximo a opinião da agora parlamentar, vou aqui desconstruir o que ela disse, sem ofendê-la, ok?

Quem estuda História, ou pelo menos se interessa minimamente pelo assunto, sabe que toda generalização é burra. Quando ela diz que todas as tribos indígenas praticavam a antropofagia, comete uma grande falácia.

Quem praticava esse ritual principalmente eram os Tupinambá, conhecidos por serem guerreiros valorosos e perigosos. Mas a antropofagia não se resumia apenas ao ato de literalmente “comer” o inimigo. Tratava-se de um ritual cultural praticado por determinados povos indígenas.



“Os Tupinambás e outros grupos da família Tupi-Guarani foram os praticantes mais famosos do ritual antropofágico no período colonial brasileiro, mas povos como os Wari' e os Yanomami também realizaram práticas de consumo ritual e funerário.”
— Boris Fausto

É bom informar que a antropofagia não era um ato simples. Existia todo um ritual. Não era apenas capturar o inimigo, matá-lo e se alimentar dele. E, voltando a lembrar, nem todas as tribos indígenas brasileiras tinham essa prática.

Quando um inimigo era capturado, realizava-se toda uma cerimônia antes da execução, que podia incluir o “engordamento” do prisioneiro, dentro de uma lógica ritual relacionada à obtenção de poder e às relações de guerra e vingança.

No dia do ritual, havia uma grande cerimônia coletiva, com cantos, danças, bebidas e pinturas corporais. O prisioneiro era executado de maneira ritualizada, e partes de seu corpo eram destinadas ao consumo de diferentes membros da comunidade.

O ato de consumir o adversário estava relacionado à incorporação simbólica de sua força, coragem e resistência. Portanto, não era algo simples como a nobre deputada tenta fazer parecer.

“A história do Brasil não começa em 1500. Ela se estende por milênios de ancestralidade. Muito antes da chegada europeia, os povos originários já moldavam este território com seus saberes, línguas e modos de vida.”
— Mary Del Priore



Um ponto muito interessante é que o prisioneiro não era necessariamente visto apenas como alimento. Todo o ritual estava inserido em uma lógica de guerra e vingança. O ato de consumir o inimigo podia representar uma forma de apropriação de sua força e de continuidade da vingança.

Vou aqui descrever, de maneira resumida, como era o ritual entre os Tupinambá, lembrando que ele não era necessariamente igual em todos os grupos e, novamente, que nem todas as tribos indígenas praticavam a antropofagia.

O ritual entre os Tupinambá

Captura do inimigo — Um guerreiro inimigo era capturado durante conflitos e levado para a aldeia. Ele podia permanecer algum tempo sob a custódia do grupo.

Preparação ritual — O prisioneiro era integrado temporariamente à comunidade e, em algumas descrições, recebia tratamento ritualizado. Havia uma série de cerimônias antes da execução.

Festa e preparação — A execução fazia parte de uma grande celebração coletiva, com cantos, danças, bebidas e pintura corporal. O evento envolvia várias pessoas da aldeia.

Execução — O prisioneiro era morto de maneira ritual. Uma descrição muito conhecida dos cronistas menciona o uso de um tacape, uma espécie de clava de madeira.

Consumo ritual — Partes do corpo eram preparadas e consumidas por membros da comunidade. Não se tratava de uma alimentação cotidiana, mas de um ato carregado de significado simbólico.

Significado — Para os Tupinambá, a prática estava relacionada à vingança, à guerra, à honra e à incorporação simbólica das qualidades do inimigo. Também tinha relação com a memória dos mortos e com a continuidade das relações entre grupos inimigos.

Colonos

Tá bom. Partindo do princípio de que, sem os colonizadores, não haveria o Brasil como conhecemos hoje, sim, eles são importantes. Mas vamos aprofundar nosso conhecimento.

Depois da “descoberta” do nosso território, os portugueses fizeram algumas expedições, inicialmente mais voltadas à exploração do território do que a um projeto de ocupação permanente. Deixaram algumas pessoas e, durante um período, não estabeleceram uma colonização efetiva em grande escala.

A partir das investidas francesas e da crescente disputa pelo território, especialmente por volta de 1530, os lusitanos passaram a se interessar mais diretamente pela ocupação e pela manutenção dessas terras. Isso também ocorreu em um contexto no qual Espanha e Portugal já realizavam expedições e exploravam diferentes regiões das Américas Central e do Sul.

Nesse momento, a partir da década de 1530, começa a intensificação da ocupação colonial, acompanhada de conflitos, extermínio de populações indígenas e escravização.

Os indígenas possuíam diferentes formas de organização social e econômica, que não correspondiam ao modelo de trabalho imposto pelos colonizadores. Além disso, suas populações foram profundamente atingidas pelas doenças trazidas pelos europeus, para as quais muitos povos originários não possuíam imunidade.

Diante das dificuldades e dos interesses econômicos da colonização, os portugueses passaram a utilizar cada vez mais a mão de obra escravizada africana.

Começou, então, uma grande expansão colonial baseada na exploração de vidas indígenas e negras.

Aqui no Brasil, somos o que somos hoje não apenas por causa dos portugueses e espanhóis, mas também — e principalmente — pela contribuição, pela resistência e pelo sangue dos povos que já estavam aqui e daqueles que foram trazidos à força para este território.

Somos uma nação construída também sobre morte, sofrimento, resistência e sobre a história de pessoas que tiveram suas vidas e seus territórios profundamente transformados pela colonização.

Por isso, acredito que podemos discutir esse assunto no campo das ideias, com respeito e sem ofensas pessoais.

Conhecer a História não significa apagar a importância dos colonizadores, tampouco romantizar ou condenar povos inteiros. Significa compreender que a História é muito mais complexa do que generalizações como “todos os indígenas eram antropófagos” ou “os colonizadores simplesmente trouxeram o progresso”.

É justamente por isso que estudar História é tão importante: para entender o passado em toda a sua complexidade.



Historiador  Paulo Jorge 

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Origem dos ambulantes

A origem dos ambulantes


Desde que o governo Eduardo Paes assumiu, estamos vendo sistemáticas operações de combate ao comércio ambulante. Esse novo capítulo chegou à nossa orla, onde a Operação Intolerância Zero vai e está combatendo os ambulantes nas calçadas e areias.

Boa parte desses trabalhadores partiram para a informalidade e conseguem sobreviver vendendo produtos, muitos de origem duvidosa, nas calçadas. Eles também convivem com o perigo, não apenas do "rapa" — termo utilizado para dizer que a Guarda Municipal está chegando —, mas também com os roubos e a violência da cidade. Além disso, ficam expostos ao clima, enfrentando chuva e sol enquanto tentam vender seus produtos.

Mas e se eu te falar que o ambulante carioca faz parte da cultura e da história carioca? Que eles podem ser considerados patrimônio da cidade?

Tudo o que existe tem uma origem, tem um começo.


Sérgio Buarque de Holanda, em seu livro Raízes do Brasil, nos mostra que os negros foram sendo empurrados para os subempregos não apenas com o advento do golpe republicano, mas já durante o Império. Os pobres, apesar de boa parte deles ser formada por escravizados, estavam em empregos dos quais a elite passava longe. Já a população negra escravizada foi ocupando subempregos ainda mais baixos, como o de jornaleiro, a prostituição, a venda de frutas, entre outros. Tudo isso para juntar dinheiro e conseguir a alforria, embora ainda perdessem uma parte do que recebiam para seus senhores.

A origem dos vendedores ambulantes no Rio de Janeiro remonta ao período colonial e ao início do século XIX, impulsionada pela figura histórica dos "escravos de ganho". Eram homens e mulheres escravizados que circulavam pelas ruas vendendo alimentos, doces e mercadorias e prestando serviços para repassar o lucro aos seus senhores.


Mas não apenas repassavam o dinheiro aos seus senhores. Muitos desses escravizados ficavam mais de 12 ou 13 horas trabalhando, pois, quando não estavam no "expediente", o que vendiam poderia ser utilizado para comprar sua alforria. Essa modalidade de escravizados de ganho era muito comum em grandes cidades, onde havia maior movimento econômico.

Da Colônia ao Império, homens e mulheres andavam pelos becos, muitas vezes quase sem presença humana, nas vilas e arraiais, denominados "escravos de ganho" por seus senhores brancos.

"Como se tratava de uma atividade com controle indireto, era possível guardar algum dinheiro através da elevação dos preços ou algum tipo de acréscimo quantitativo do oferecido, restando algum capital que, acumulado, possibilitava por vezes a obtenção de alforrias, devidamente indenizadas aos 'proprietários' para conseguir a justa liberdade."

— Diário do Rio, William Bittar

Os escravizados de ganho nada mais eram do que homens e mulheres que andavam pelas ruas das vilas e da capital, comercializando produtos a céu aberto, geralmente em ruas e becos dos grandes centros.

Parte do dinheiro obtido ia para o dono do cativo, enquanto pequenas economias ajudavam alguns a tentar conquistar a alforria. Com a chegada da família real portuguesa ao Rio de Janeiro, aumentaram a circulação e a demanda urbana, pois toda a corte acabou vindo para a cidade. Isso também atraiu diversos estrangeiros para nossas terras, popularizando o comércio de rua, regulamentado de maneira precária pela Câmara Municipal.

Para exercer esse trabalho, o escravizado dessa função "gozava" de autonomia e liberdade de locomoção. Ele podia, inclusive, morar em uma casa qualquer na cidade e só ia à casa de seu senhor para pagar, diária ou semanalmente, a remuneração estipulada. Isso, claro, sempre sob a vigilância do poder local e com a supressão de seus direitos.

Ele não era liberto, e essa sensação de liberdade era falsa, já que, apesar dessa autonomia, o escravizado muitas vezes tinha que levar ao seu senhor uma determinada quantia que lhe era exigida.

"Essa forma de exploração do trabalho escravo atendia aos interesses dos dois lados: os escravos viam uma possibilidade, mesmo que aparente, de liberdade, enquanto os senhores se livravam de gastos com alimentação, vestuário e fiscalização de seus escravos, além de garantir uma renda."

— Studhistoria

Não estou dizendo que não devemos ter controle ou que devemos liberar tudo, mas é preciso entender cada caso desses ambulantes. Os honestos devem ter seu espaço para trabalhar, pois muitos desses trabalhadores enfrentam problemas sociais importantes, como baixa escolaridade e falta de incentivos para melhorar suas condições de vida.

O ambulante carioca não surgiu hoje. Ele faz parte da própria formação social e histórica da cidade. Entender essa história também é uma forma de compreender por que o comércio de rua permanece tão presente no cotidiano do Rio de Janeiro.

quarta-feira, 2 de julho de 2025

COPA RIO - JOGOS DA RODADA 01

 COPA RIO 2025- GAMA ESPORTIVA NA COBERTURA DOS JOGOS 


Todos os campeões da Copa Rio :

Volta Redonda : 5 títulos 

Portuguesa: 3 títulos 

Resende : 2 títulos 

Tigres do Brasil : 2 títulos 

Vasco da Gama : 2 títulos 

Nova Iguaçu: 2 títulos

Com 1 título: Pérolas Negras, Bonsucesso, Americano,Duquecaxiense,Duque de Caxias, Madureira,Fluminense,Boavista,Flamengo,Maricá,Audax,Rubro.


Segue a lista completa dos participantes da Copa Rio 2025, organizada de acordo com a classificação nas divisões do Campeonato Carioca de 2024:

Série A (1ª divisão) – 8 clubes

  • Nova Iguaçu

  • Boavista

  • Portuguesa

  • Sampaio Corrêa

  • Madureira

  • Bangu

  • Audax

  • Maricá

Série A2 (2ª divisão) – 8 clubes

  • Olaria

  • Duque de Caxias

  • America

  • Araruama

  • Cabofriense

  • Petrópolis

  • Resende

  • Americano

Série B1 (3ª divisão) – 4 clubes

  • Artsul

  • Paduano

  • São Gonçalo

  • Pérolas Negras

Série B2 (4ª divisão) – 4 clubes

  • Campo Grande

  • Bonsucesso

  • Niteroiense

  • Carapebus



A Copa Rio 2025 já começou e conta com uma premiação total de aproximadamente R$ 550 mil, valor que será distribuído entre os 24 clubes participantes. De acordo com a FFERJ (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro), a divisão dessa receita foi previamente compartilhada com os clubes envolvidos no torneio.

Dentre o montante total, R$ 200 mil estão reservados exclusivamente para os finalistas. O time campeão terá a prioridade na escolha entre as duas principais recompensas: disputar a Série D do Campeonato Brasileiro ou a Copa do Brasil. A equipe que optar pela vaga na Série D receberá R$ 150 mil, enquanto aquela que escolher a Copa do Brasil ficará com R$ 50 mil referentes à final.






CAMPO GRANDE 2X0 AMERICANO - Gols: Lucas Vieira e Danilo 

SÃO GONÇALO 1X0 OLARIA -Gol: Mauricio

PÉROLAS NEGRAS 0X2 RESENDE-Gols: Lucas Dantas e Mitson 

NITEROIENSE 0X0 AMÉRICA 

CARAPEBUS 1X0 DUQUE DE CAXIAS -Gol: Manga

PADUANO 1X1 CABOCRIENSE -Gols: 
Paduano : Jackson 
Cabofriense: Pedro Lucas 

ARTSUL 0X0 PETRÓPOLIS 

BONSUCESSO 0X0 ARARUAMA


A primeira fase da competição já foi concluída, com a eliminação de oito equipes: Niteroiense, São Gonçalo, Artsul, Carapebus, Paduano, Campo Grande, Pérolas Negras e Araruama.




Duque de Caxias 2x0 Carapebus (0x1). Gols : Espinho e André Santos .
O Duque de Caxias passou com dificuldades pelo time do Carapebus e está classificado para a segunda fase da Copa Rio, onde enfrentará o Madureira. A equipe vencedora, assim como as demais, tem um investimento menor; porém, está no meio da temporada, o que dá ao time uma certa vantagem.

 America 2x0 Niteroiense (0x0)
Gols : Lacovelli e Nauhan
O América despachou o Niteroiense da terceira divisão e o sonho de uma competição nacional continua, já que a campanha no Carioca está aquém da tradição do clube. O América pega o Audax Rio. 

 Cabofriense 1x0 Paduano (1x1) gols : Alex Santos 
No aperto total, a Cabofriense suou sangue para se classificar sobre o tradicional Paduano e vai pegar na segunda fase o Boavista, que está na disputa da Série D do Brasil, mas está muito mal , estando na última colocação do seu grupo. 

 Resende 2x1 Pérolas Negras (2x0). Gols Resende: Pablo e Mitson . Pérolas Negras - Garrinsha 
Dois jogos e duas vitórias. O Resende não teve pena do companheiro de divisão. O Pérolas Negras confirma o péssimo ano e além de eliminado na Copa Rio, está na zona de rebaixamento da Série A2. O Resende pega A Lusa Carioca. 

 Olaria 5x0 São Gonçalo (0x1)- gols: Rhyan, Cipriano e Jadilson 
E não é que o líder da Série A2 caiu de goleada para o Olaria ? O índio do Subúrbio mostrou todo o seu poder e derrotou com autoridade o time da grande Niterói , mostrando que vai entrar nessa Copa Rio para vencer e voltar a competições nacionais. 

O Olaria enfrentará o Nova Iguaçu . 

 Petrópolis 2x0 Artsul (0x0)

O Petropolis venceu o Artsul sem muitas dificuldades e na segunda fase tem uma parada muito dura: o Maricá, que está com a temporada completa, disputando a Série D do Brasileiro e na disputa direta pela classificação para a segunda fase. 

Americano 2x0 Campo Grande (0x2) 
Americano 5x6 Campo Grande (pênaltis)

O Campo Grande mostrou que tradição caminha junto com camisa pesada. Mais um duelo entre equipes de divisões diferentes: a equipe de Campos está na Segundona e vive uma grande fase, enquanto o Campo Grande ainda vai iniciar sua temporada. Mesmo perdendo a partida de volta, conseguiu levar a decisão para os pênaltis e garantiu a classificação.

E nada melhor do que um grande clássico para a segunda fase: Bangu x Campo Grande.


Araruama 0x0 Bonsucesso (0x0)
Araruama 2x3 Bonsucesso (pênaltis)

Heróico. O Araruama está no meio da temporada, disputando a Série A2. Mesmo estando em último lugar, é tecnicamente melhor que o Bonsucesso, que está na terceira divisão e ainda nem havia iniciado sua temporada. Mas isso não foi suficiente para parar o Leão da Leopoldina, que, com muita vontade, segurou o Araruama. Mesmo perdendo no tempo normal, levou a decisão para os pênaltis e, ali, eliminou a equipe adversária.

Agora, o Bonsucesso encara uma parada duríssima: o Sampaio Corrêa.



Oitavas de final da Copa Rio

Audax Rio x America
Boavista x Cabofriense
Nova Iguaçu x Olaria
Sampaio Corrêa x Bonsucesso
Maricá x Petrópolis
Madureira x Duque de Caxias
Bangu x Campo Grande
Portuguesa x Resende



domingo, 29 de junho de 2025

FLUMINENSE É TRADIÇÃO !

 REAL OLVIEDO MAIOR QUE O FLUMINENSE ? 


Estamos testemunhando o primeiro Mundial de Clubes da FIFA, e com isso diversos jornalistas estrangeiros começaram a fazer campanhas a favor e contra a competição. Havia quase um consenso na imprensa internacional de que os times sul-americanos passariam vergonha nesse Mundial, mas não foi o que vimos.

Palmeiras e Fluminense jogaram melhor que PSG e Borussia; o Flamengo fez uma grande partida contra o Chelsea e venceu com goleada; e o resultado que chocou o mundo: o campeão da Champions League, o PSG, perdeu para o Botafogo, que atuou de forma tática e valente. O que era visto como uma vitória certa dos europeus passou a gerar opiniões divididas.

Uma série de desculpas começaram a ser levantadas para justificar o desempenho desses times. É perceptível que, ao tirá-los da zona de conforto, o jogo se equilibrou. Mas será que estamos realmente tão distantes, tecnicamente, de times que ocupam a "prateleira B" da Europa?

Claro, hoje na Europa podemos destacar um "Big Six": Real Madrid, Barcelona, PSG, Manchester City, Liverpool e Bayern de Munique. Ao meu ver, esses são atualmente os clubes da prateleira A do futebol europeu. Contra esses, o desafio técnico é realmente maior. Mas Flamengo, Fluminense e companhia mostraram que, com treinamento, tática disciplinada e equilíbrio estrutural, um time brasileiro consegue sim competir de igual para igual — e até vencer — equipes das prateleiras B e C, e quem sabe, até da prateleira A.

Lembre-se de que Flamengo e Palmeiras equilibraram as ações nos Mundiais contra Chelsea e Liverpool. Mas vamos nos atentar ao título do artigo. 

Essa semana, vi uma espécie de mesa redonda na Espanha, onde três jornalistas compararam o Fluminense — um dos 12 gigantes do futebol brasileiro e de muita tradição — ao time do Real Oviedo. Vamos, então, conhecer, caros leitores, quem é o Real Oviedo.

Na temporada 2024/2025, a equipe estava na segunda divisão e terminou na terceira colocação, o que lhe garantiu o direito de disputar a La Liga 2025/2026. A campanha foi composta por 42 jogos, com 21 vitórias, 12 empates e 9 derrotas.

O Real Oviedo foi criado em 1926, resultado da união entre o Estadio Ovetense e o Real Club Deportivo Oviedo. O primeiro clube havia sido formado por jovens que estudaram na Inglaterra, onde o futebol já era bastante difundido. O segundo surgiu alguns anos depois, como consequência de uma divisão interna no Estadio Ovetense.

O clube, localizado na região autônoma das Astúrias, tem como principais conquistas cinco títulos da segunda divisão espanhola e quatro da terceira divisão. O Real Oviedo já participou 38 vezes da primeira divisão do Campeonato Espanhol. O time não tem muitos feitos sigficativos. 

Vamos agora falar do Fluminense! O Tricolor das Laranjeiras foi um dos primeiros clubes fundados na cidade do Rio de Janeiro, teve papel fundamental na organização do futebol carioca e foi um dos responsáveis pela criação do Campeonato Carioca.

Quatro vezes campeão brasileiro da primeira divisão, vencedor da Copa do Brasil e da Copa Libertadores, entre muitos outros títulos. Pelo Tricolor das Laranjeiras passaram craques que ajudaram a escrever a história do nosso futebol.

O clube também esteve presente na assinatura da profissionalização do futebol em 1933. O Fluminense é história viva e abriga um dos estádios mais antigos da cidade e do Brasil. A importância do time para a história se mostra na análise das fontes. O time foi o responsável em jogar o primeiro jogo oficial da história do Campeonato Carioca de 1906, campeonato esse que ele ajudou a organizar. Dia 03 de maio de 1906, o Fluminense abriu o Carioca contra a equipe do Paysandu e o tricolor das Laranjeiras mostrou por que já desde começo ,seria conhecido como uma potência:7x1, jogo realizado no campo da Rua Guanabara, onde mais tarde seria construído o Estádio das Laranjeiras. Ali começava o caminho de glórias. 

Isso estou aberdando apenas o começo do Fluminense, se eu pudesse citar todas as glórias, precisaria de anos de escrita. O time foi campeão de diversos torneios internacionais e nacionais, diversos jogadores cedidos a seleções brasileiras e mundiais. Uma infinidade de títulos e importância histórica. Olha que o clube já fez para contribuir com o país. 


Fluminense: um clube que também entrou em campo na Segunda Guerra Mundial

O Fluminense Football Club protagonizou um capítulo pouco conhecido, mas marcante, de sua história durante a Segunda Guerra Mundial. Em um gesto patriótico, o Tricolor arrecadou fundos entre seus associados e torcedores para adquirir e doar um avião à Força Expedicionária Brasileira (FEB). A aeronave, um monomotor Fairchild PT-19, foi batizada de "Coelho Netto", em homenagem ao escritor e patrono do clube, e entregue oficialmente em uma cerimônia realizada no estádio das Laranjeiras, pouco antes de um clássico contra o Flamengo.

Além da doação do avião, o Fluminense também colocou suas instalações à disposição do país. Em seus espaços foram promovidos cursos de enfermagem para formação de profissionais que, posteriormente, integraram os contingentes brasileiros enviados à campanha na Itália.

As ações do Fluminense durante o conflito mundial evidenciam o papel ativo do clube fora das quatro linhas. Mais do que vitórias em campo, o Tricolor das Laranjeiras demonstrou compromisso com causas maiores, contribuindo diretamente para o esforço de guerra do Brasil contra o nazismo e o fascismo.

A pergunta que deixo é : ter certeza que tem como comparar ? 


fontes pesquisadas: 

1- LIVRO FLUMINENSE, O PRIMEIRO TETRA CAMPEÃO DO FUTEBOL BRASILEIRO 

2- HISTÓRIAS DOS CAMPEONATOS CARIOCAS DE FUTEBOL 

3-https://futebolnacional.com.br/siteapp/page.jsp?module=championship&code=D868920C830AD300DB7282D40DA28A48&lang=pt-br&img=y

4-https://www.espn.com.br/futebol/time/elenco/_/id/92/esp.real_oviedo

5-https://www.ogol.com.br/equipe/real-oviedo/2545

6- https://www.realoviedo.es/

segunda-feira, 16 de junho de 2025

ANIVERSÁRIO DO MARACANÃ

75 ANOS DO ESTÁDIO DO MARACANà

Hoje é aniversário de 75 anos do Maracanã, mas a história esportiva da região é bem mais antiga. Este ano o antigo Derby Club, que cedeu seu terreno para o atual estádio Mário Filho, completaria 140 anos.
A própria estação Maracanã já teve outro nome: Derby Club. Inaugurada em 1885 e, de acordo com o relatório Estrada de Ferro Central do Brasil (EFCB) de 1902, tratava-se de uma plataforma utilizada em dias de corrida no Derby Club – que ficava ao lado da estação – , onde era praticado o Turfe, como é conhecido o esporte de corrida de cavalos.


Abaixo uma imagem de jóqueis que disputaram páreos no Derby Club, em 1911, trajando as fardas com as cores de seu haras e coudelarias.
Cabine de controle da estação Derby Club em 1941.

Não é o Bellini?

A famosa estátua do zagueiro do Vasco da Gama, Bellini, segurando a Taça do Mundo de 1958, na verdade... não é exatamente do Bellini. Pouca gente sabe, mas a escultura tem uma origem bastante curiosa.

O artista Matheus Fernandes, do Instituto Municipal de Belas Artes, estava originalmente esculpindo uma peça de 9 metros em bronze em homenagem ao cantor Francisco Alves, conhecido como “O Rei da Voz”. A obra havia sido encomendada por uma rede de lojas que levava o nome do cantor e patrocinava a escultura.

No entanto, com a conquista da Copa do Mundo de 1958 e sob forte pressão do Jornal dos Sports, que exigia uma homenagem digna aos campeões do mundo, decidiu-se que a estátua deveria ser dedicada à Seleção Brasileira — e o local escolhido foi justamente em frente ao maior estádio do mundo: o Maracanã.

O artista então fez uma “adaptação” e transformou a figura do cantor no zagueiro Bellini, eternizado no gesto simbólico de erguer a taça. Mas se você olhar com atenção... o rosto não é o do Bellini. É o do cantor da época.



Com a obra ainda inacabada e cheia de andaimes, a seleção de São Paulo venceu a do Rio de Janeiro por 3 a 1, embora o gol inaugural tenha sido de Didi, que jogava pelo Rio. Sete dias depois, o Maracanã foi palco da abertura da Copa do Mundo de 1950, na partida entre Brasil e México.


Porém, o entorno ainda não havia sido devidamente urbanizado. Podemos ver a favela do Esqueleto, atual Uerj. Esse prédio era para ser um hospital que ajudaria a ampliar a rede de saúde da cidade e serviria como local para escoar qualquer problema em relação a Copa do Mundo. 


Maracanã - 17.05.1963. A rua São Francisco Xavier foi projetada em 1952 e inaugurada dez anos depois, após a remoção de 495 barracos da antiga Favela do Esqueleto. A Favela do Esqueleto surgiu na década de 30, após a paralização na construção de um hospital do Instituto de Aposentadoria e Pensões (IAP)




CURIOSIDADES DO MARACANà

1. Já teve o maior público da história do futebol

  • Em 16 de julho de 1950, durante a final da Copa do Mundo entre Brasil e Uruguai (o famoso "Maracanazo"), o estádio recebeu cerca de 200 mil pessoas. Oficialmente, foram registrados pouco mais de 173 mil pagantes, mas estima-se que o número real ultrapassou os 199 mil.

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2. Já virou palco de grandes shows

  • Além do futebol, o Maracanã já recebeu artistas de renome mundial, como:

    • Frank Sinatra (1980) — um dos primeiros megaeventos musicais no estádio.

    • Madonna (1993), com público de mais de 120 mil pessoas.

    • Paul McCartney, Rolling Stones, U2, entre outros.

    • Em 1991, Ayrton Senna até desfilou com um carro da Fórmula 1 no gramado durante um evento de comemoração.


🏆 3. É o único estádio a sediar duas finais de Copas do Mundo

  • Foi sede das finais da Copa do Mundo de 1950 (Brasil x Uruguai) e da Copa do Mundo de 2014 (Alemanha x Argentina).


🤯 4. Já teve até uma “chuva de rádios”

  • Em 1950, após a derrota do Brasil para o Uruguai, torcedores revoltados começaram a arremessar seus rádios das arquibancadas, simbolizando o desespero e frustração nacional.


🎭 5. Foi palco de velórios históricos

  • O Maracanã já foi utilizado como local de velórios públicos de ídolos nacionais, como:

    • João Saldanha (jornalista e técnico da Seleção)

    • Garrincha

    • Eusébio (ídolo português, em uma cerimônia simbólica)

    • O caixão de Pelé também foi levado ao Maracanã em 2023 para uma homenagem antes do cortejo final em Santos.


🏟️ 6. Já teve grama sintética (e isso virou polêmica)

  • Por um curto período nos anos 2000, o Maracanã testou a instalação de grama sintética, o que gerou enorme rejeição de jogadores e técnicos. A ideia foi abandonada.


🧱 7. Já teve uma comunidade indígena ao lado

  • Próximo ao estádio existia o prédio do antigo Museu do Índio, ocupado por indígenas e ativistas que lutavam pela preservação da memória indígena. Durante as obras para a Copa de 2014, o governo tentou removê-los à força. Após muita pressão, o prédio não foi demolido, mas a comunidade foi retirada.


🛠️ 8. Foi parcialmente demolido e reconstruído

  • Para a Copa de 2014, o Maracanã passou por uma reforma radical. O anel original foi demolido e o novo estádio foi construído dentro da estrutura externa histórica, com arquibancadas mais modernas e cobertas. Isso gerou críticas por descaracterizar a estrutura original.


👶 9. Teve um “batizado de gols” em sua inauguração

  • O primeiro gol da história do Maracanã foi marcado por Didi, jogador da Seleção do Rio, em um amistoso contra São Paulo, durante a inauguração parcial do estádio, em 1950.


👻 10. Alguns dizem que é “assombrado”

  • Há várias lendas urbanas sobre o Maracanã ser mal-assombrado. O “Maracanazo”, acidentes ao longo dos anos e mortes trágicas contribuíram para esse imaginário popular, principalmente entre torcedores supersticiosos.







Historiografia do Estádio Mário Filho – Maracanã

O Estádio Jornalista Mário Filho, conhecido popularmente como Maracanã, é um dos monumentos mais emblemáticos do futebol mundial e uma peça-chave na história urbana, esportiva e cultural do Brasil. Sua trajetória, iniciada ainda na década de 1940, entrelaça-se com momentos decisivos do século XX e XXI, sendo palco de eventos que transcendem o esporte.

A ideia de construir um grande estádio no Rio de Janeiro surge no contexto da escolha do Brasil como sede da Copa do Mundo de 1950. O país vivia um período de otimismo desenvolvimentista no pós-Segunda Guerra Mundial, e o governo federal, juntamente com o então Distrito Federal (Rio de Janeiro), via no evento uma oportunidade de projetar uma imagem moderna do Brasil ao mundo.

Sob a liderança do jornalista Mário Filho — defensor fervoroso da construção do estádio no bairro do Maracanã — e enfrentando resistência de setores da elite que preferiam a Zona Sul carioca, iniciou-se em 1948 a construção do estádio. A obra, conduzida em ritmo acelerado, envolveu diversos arquitetos, como Waldir Ramos e Raphael Galvão, e mobilizou grande contingente de trabalhadores. O custo elevado, os atrasos e os debates políticos em torno da obra marcaram esse período inicial.

O estádio foi inaugurado oficialmente em 16 de junho de 1950, ainda inacabado, com um jogo entre seleções do Rio de Janeiro e de São Paulo. O ponto alto veio semanas depois, em 16 de julho, com a final da Copa do Mundo entre Brasil e Uruguai, episódio conhecido como “Maracanazo”. A derrota por 2 a 1 diante de cerca de 200 mil espectadores — maior público registrado da história do estádio — transformou o local em símbolo trágico e místico do futebol brasileiro.

Ao longo das décadas seguintes, o Maracanã consolidou-se como o principal palco esportivo do país. Clubes como Flamengo, Fluminense, Botafogo e Vasco da Gama fizeram do estádio sua casa, promovendo clássicos históricos. Diversos jogadores lendários brilharam em seu gramado, como Zico, Pelé, Garrincha e Romário.

O estádio também foi cenário de momentos icônicos, como o milésimo gol de Pelé, em 1969, e conquistas nacionais e internacionais de clubes cariocas. Com sua arquitetura monumental e atmosfera única, o Maracanã ganhou reputação internacional, tornando-se referência entre estádios do mundo.

Mais do que um estádio, o Maracanã é um espaço carregado de significados políticos, sociais e culturais. Recebeu shows históricos, como os de Frank Sinatra, Madonna, Paul McCartney e Tina Turner, e serviu de palco para manifestações políticas e eventos religiosos. É também símbolo de resistência popular — em torno de sua preservação e contra os impactos sociais das reformas, como a remoção da antiga comunidade da Aldeia Maracanã e do Museu do Índio.





Você sabia que o Maracanã quase foi construído em Jacarepaguá? Sim, meus amigos! A construção do estádio não escapou das disputas da política nacional.

Um dos principais nomes da época, o político Carlos Lacerda — que era adversário do então prefeito do Rio de Janeiro — se opôs fortemente à construção do estádio no bairro do Maracanã. Para Lacerda, o estádio deveria ser construído em Jacarepaguá, pois havia espaço de sobra para um projeto daquela magnitude.

O problema é que Jacarepaguá, naquela época, não contava com infraestrutura de transporte adequada. Seria necessário abrir grandes avenidas, implantar linhas de trem e criar rotas de ônibus. Tudo isso tornaria a obra praticamente inviável do ponto de vista financeiro.


Infelizmente, nem tudo foram flores na história lendária do Maracanã. Um grave acidente ocorrido em 1992, durante o segundo jogo da final do Campeonato Brasileiro entre Flamengo e Botafogo, vitimou três pessoas e deixou outras 82 feridas. O incidente aconteceu quando uma parte da estrutura cedeu, fazendo com que torcedores caíssem da arquibancada superior em direção à inferior.

Foram 13 metros de grade que, simplesmente, não suportaram o peso e se romperam.

O estádio permaneceu fechado por sete meses para realização de obras. No dia do jogo, que reuniu mais de 150 mil pessoas, havia apenas seis médicos e oito enfermeiros — número claramente insuficiente para atender a um acidente daquela magnitude.




FOTOS CEDIDAS PELO AMIGO E HISTORIADOR RAFAEL MATOSO. 
TEXTOS EM ITÁLICO : RAFAEL MATOSO 
TEXTOS HISTORIOGRÁFICOS: PAULO JORGE