terça-feira, 23 de maio de 2017

As duas faces de Álvaro da Costa Mello



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Ao andar pelas ruas de Bonsucesso e ramos vemos alguns prédios em azul e branco, e o mas alto deles com o nome Álvaro da Costa Mello. Então a curiosidade bate  logo e logo nos perguntamos, a pessoa foi muito importante, a ponto de ter um prédio com seu nome( na verdade são dois prédios) e um busto em sua homenagem  feito pelo a pedido do Unibanco em Bonsucesso.
Álvaro era um português que, como muitos outros, chegou ao Brasil para tentar vencer  no mundo dos negócios, mas sua história começa no dia de seu nascimento, dia 12 de junho de 1905 no lugarejo de Infias na Serra Estrela.

A família possuía uma lavoura pequena aonde Mello trabalhava quando criança, assim poderia ajudar na renda familiar. Em determinado momento, quando sua família viva uma crise financeira, pegou seu irmão Valentim e viajou para os EUA onde lá trabalhou na construção civil, Mello Tinha apenas 16 anos.

Aos 22 anos decidiu tentar a vida no Brasil, chegou aqui em terras tupiniquins no final dos anos vinte, onde conseguiu emprego de motorneiro do Bonde 50/90. Mas Àlvaro sempre foi conhecido como um cara honesto e inteligente, mas de cabeça muito esquentada, tanto que em pouco tempo de trabalho, em uma discussão com seu fiscal, aplicou um soco nele, acabou sendo despedido e voltou para Portugal, mas seria por pouco tempo.

Mello como trabalho do bonde e as finanças guardadas de época dos EUA decidiu voltar ao Brasil para ser um jovem empreendedor, logo em sua chegada comprou uma vila de casas em Olaria e alugou tudo rapidamente, mas teve problemas com um dos seus inquilinos e , cabeça quente como ele era, resolveu vender a vila e com o dinheiro investiu na compra da padaria Globo, junto com seu compadre , que logo saiu do negócio e deixou ele tocando só.
Nessa sua aventura pelo bairro de Olaria conheceu Judith do Rego Barros, filha do Manoel Francisco do Rego Barros, família esta dona de uma parte das terras de Olaria, família muito tradicional que ajudou e muito a realizar os sonhos de Mello. Os dois se casaram e tiveram duas filhas, Maria Rita e Leopoldina , mas essa união não teve muito tempo de felicidade e no final dos aos trinte houve a separação .

Nessa época Mello já era um comerciante conhecido na região, um prospero homem que quase jogou tudo fora por causa de seus temperamento.
No dia 15 de março de 1938, no tabloide “O jornal” noticiava uma tentativa de assassinato por parte do senhor Mello, segundo o jornal , o SR. Mello estava desconfiando de estar sendo traído ,pois sua esposa tinha uma amizade com o investigador Waldemar Luiz Bento., vivia vigiando sua esposa pelas madrugadas, quando no dia 14, entrou em sua cozinha e viu o homem conversando com sua esposa e num ataque de fúria atirou com uma colt 45 no investigador e tentou estrangular a mulher, mas foi impedido por vizinhos e depois pela força policial. Mello foi preso e condenado por dois anos de prisão.

A situação está tão ruim que Edith disse em entrevista ao Jornal:
- “Meu marido é o único culpado de tudo isso, casei-me por amor, quando ele era condutor de bonde, a pouco tinha chego de Portugal, mas ele queria apenas saber de dinheiro.”
Essa declaração de Edith mostra um Àlvaro ambicioso, que faria de tudo para crescer. Foi
Na época que ele foram casados, Mello comprou várias padarias pela região, crescendo muito como empresário e nas palavras de sua esposa fica bem claro que ele usou o prestígio e as verbas da família para conseguir sua rede de padarias.

Quando essa situação toda passou, Mello casou-se novamente, agora com uma de suas empregadas, D. Nizete que viveu com ele o resto da vida.

Empresário já bem sucedido, com várias padarias pela região, decidiu investir na construção civil. Seu primeiro empreendimento na área foi à compra de um grande terreno na praça do Carmo(entre Av..Brás de Pina e Estrada Vicente de Carvalho) no final dos anos 40, local esse que era um lugar pobre e vazio, sem atrativo algum, apenas um pequeno Vilarejo que, aos poucos foi sendo modificado pelo espírito empreendedor de Mello. Assim que construiu o edifício , comprou mais três terrenos e construiu lojas , apartamentos e um grande cinema.

Não satisfeito, fez uma sociedade com o melhor amigo, Wilson Xavier e com isso construiu várias lojas aos arredores das estações de trem da Leopoldina.
Mas como ele foi parar em Bonsucesso?

No início os anos cinquenta o bairro de Bonsucesso ainda preservava um aspecto rural, com poucas casas e quase nenhum comércio, o que fez Álvaro Mello ver uma oportunidade de expandir seus negócios, sendo assim construiu prédios na Avenida Teixeira de Castro n 10/51, Rua Bonsucesso n 280/290/101 e 440, Rua Cardoso de Moraes 173/118/80, todos esses prédio com até seis pavimentos. Depois construiu seu maior empreendimento, seu orgulho, até então o maior edifício do subúrbio carioca, na rua Cardoso de Moraes 221 com 14 pavimentos e praticamente todos os prédio na cor azul e branco, mas por que ?

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Alvaro é o primeiro da direita para a esquerda



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Àlvaro foi um grande presidente do Olaria, amava o clube de tal maneira que vira e mexe aparecia nas páginas de jornais brigando com todo mundo para defender seus clube, foi patrono e principal responsável pela obra do novo estádio da Bariri. O campo da Bariri era um campo feio e com condições precárias de jogo, o que provocou a exclusão do Olaria de várias práticas esportivas, foi quando Mello reformou todo o campo, mudou ele de posição , fez a arquibancada e chamou para a festa de inauguração o Presidente da CBD João Lyra Filho que, vendo o novo estádio, se viu na obrigação de recolocar o olaria nas competições. Ele amava tanto o clube que, depois de uma vitória no ano de 1958, ele pagou uma premiação aos jogadores do próprio bolso.


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presidente do Olaria, Àlvaro é o terceiro da direita para a esquerda

Álvaro foi tão importante para a região que o gerente do Unibanco, Wilson Xavier (seu melhor amigo) arrecadou fundos e mandou colocar um busto em homenagem a ele no entroncamento das avenidas Teixeira de Castro e rua Cardoso de Moraes. Mello sempre foi um cara importante e tinha acesso direto a autoridades políticas cariocas, era devota a santa Luzia, viajava muito e se tornou milionário. Ao final de vida ficou cego devido ao Glaucoma, parou de construir no ano de morreu em 1992 na Penha.  

quinta-feira, 4 de maio de 2017

SERRA DA MISERICÓRDIA

Serra da Misericórdia: Uma obra prima da natureza no meio do subúrbio


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A Serra da Misericórdia, uma verdadeira obra magnífica da natureza, abrange cerca de 43,9 km² no município do Rio de Janeiro. Está localizada após uma faixa de baixada de aproximadamente 6 km ao norte do Maciço da Tijuca e a 3 km da costa oeste da Baía de Guanabara, tendo como ponto mais próximo de seu relevo o bairro da Maré. É uma região geográfica enorme, não é?

O Maciço da Misericórdia atinge cerca de 260 metros de altitude em seu ponto culminante, a Serra do Juramento (onde fica a comunidade do Juramento). Estende-se por 27 bairros do subúrbio carioca, entre eles: Abolição, Bonsucesso, Brás de Pina, Cavalcante, Cascadura, Complexo do Alemão, Del Castilho, Engenho da Rainha, Higienópolis, Honório Gurgel, Inhaúma, Irajá, Madureira, Olaria, Penha, Penha Circular, Piedade, Pilares, Ramos, Rocha Miranda, Tomás Coelho, Turiaçu, Vaz Lobo, Vicente de Carvalho, Vila Kosmos e Vista Alegre.

Antes da criação da Área de Proteção Ambiental e Recuperação Urbana (APARU), estabelecida pelo Decreto nº 19.144, de 14 de novembro de 2000, não havia qualquer controle sobre a poluição dos bairros circundantes ao Maciço da Misericórdia. As comunidades ao redor do morro avançavam sobre o terreno rumo ao topo, destruindo o pouco que restava da vegetação nativa. Havia ainda a presença de três pedreiras, com jazidas de granito na região, que lançavam esgoto industrial nas águas dos rios da Serra da Misericórdia. Esses rios transportavam metais pesados e detritos orgânicos para a Baía de Guanabara.

Com a perda da vegetação original, houve a destruição da estrutura do solo, essencial para sua agregação e firmeza, o que causou impermeabilização, ressecamento dos rios que dependem da vegetação, e aceleração da erosão e do assoreamento, colocando em risco diversas comunidades que vivem nas encostas.

A Serra da Misericórdia é considerada parque e área de preservação ambiental desde 16 de dezembro de 2010, a partir do Decreto nº 33.280, que instituiu o Parque Municipal da Serra da Misericórdia, também conhecido como Parque Municipal Urbano da Serra da Misericórdia ou Parque Ecológico da Vila Kosmos, e estabeleceu seus limites.

Na prática, esse reconhecimento significa que o local deve ser destinado ao lazer, à prática esportiva, à recreação em meio à natureza, à educação ambiental, à valorização das manifestações culturais e tradições locais, e a ações de proteção voltadas às áreas de reflorestamento, à fauna, às nascentes e aos mananciais de água existentes no local.

Entretanto, até onde se sabe, mesmo após o decreto, a serra não vem sendo fiscalizada adequadamente, e seu terreno perde metros a cada ano. Existe um projeto do governo do estado para revitalizar a região e criar um grande parque ecológico com 25,5 mil metros quadrados, mas, infelizmente, isso jamais saiu do papel, tendo sido realizadas apenas obras de contenção de encostas.


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Existe uma lei que protege as áreas naturais, com o objetivo de preservar o que resta dos bens naturais. Essa lei é o Decreto nº 19.144, de 16 de novembro de 2000.

Além das pedreiras e dos mananciais de rios — hoje todos desativados —, a serra abriga, ainda existente, o famoso Reservatório da Penha, que abastecia praticamente toda a Zona da Leopoldina e a Ilha do Governador.



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No começo das décadas de 1930 e 1940, existiam expedições pela serra, nas quais pessoas faziam trilhas e descobriam suas belezas naturais. Isso só foi possível identificar devido à pesquisa que realizei em jornais antigos, e um desses periódicos traz uma reportagem sobre o assunto (Jornal do Brasil, 30 de janeiro de 1941).

Alguém sabe por que o nome Serra da Misericórdia?
Como a história do Brasil nos mostra, aqui foi uma colônia portuguesa, e sabemos que a monarquia era ligada à religião católica, que teve um papel importante nas primeiras construções do local. O nome Serra da Misericórdia foi dado pela Santa Casa de Misericórdia, pois, no início da exploração das terras da região da Penha, a instituição acabou adquirindo propriedades na área, assim dando nome à serra.

As comunidades cresceram em seu entorno devido à especulação imobiliária, pois, já nas décadas de 1940 e 1950, o Rio de Janeiro havia se tornado uma cidade cara para se morar. Quando uma família de baixa renda não tinha condições de arcar com o aluguel, para onde ia? Para os morros. Foi assim que a Serra da Misericórdia começou a ser ocupada por comunidades.


sábado, 22 de abril de 2017

Uma casa chamada São Januário – 90 anos
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Introdução
O que representa um estádio para seu time de futebol? Define sua identidade? Define sua casa? Um local de celebração da história e da memória do clube?
Um time de futebol tem uma ligação muito especial com sua “casa”, é o lugar onde ele pode jogar com sua capacidade máxima, empurrado pela sua torcida, sobre olhos apaixonados de crianças e perto de seus domínios. Temos vários exemplos pelo Brasil eu nos mostra a relação time x estádio, como por exemplo Flamengo x Maracanã, Palmeiras x Parque Antártica , São Paulo x  Morumbi etc.
Mais o Gigante da colina tem uma relação muito mais profunda como time do Vasco, sua torcida. Nesse artigo vou bordar um pouco dessa relação time x estádio e apontar que não é apenas um estádio comum, é um marco histórico.
Vivemos muitas alegrias e tristezas, mais é nossa casa e nosso orgulho.


Uma carta contra o racismo

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Antes de iniciar o artigo em  sim ,gostaria de mostrar a vocês a que ponto chegou o racismo e a intolerância nos anos 20.O Vasco não foi o primeiro time a colocar negros e operários em campo, mais foi quem bancou e manteve seu time. No carioca de 1923(o primeiro dele na primeira divisão) com esse time mesclado conquistou o campeonato carioca de forma suprema-PTS.25J-14 V-12 E-1 D-1 GP -32 GC-19-e isso provocou uma revolta enorme na elite futebolística carioca , tanto que os clube se juntaram e criaram uma outra liga e excluíram o Vasco, foi ai que o presidente do Vasco escreveu uma carta à AMEA, que veio a ser conhecida como a “resposta histórica”, recusando a se submeter à condição imposta e desistindo de filiar-se à AMEA. A carta entrou para a história como marco da luta contra o racismo no futebol.


 Vamos ler :
Rio de Janeiro, 7 de Abril de 1924.
Ofício nr. 261
Exmo. Sr. Dr. Arnaldo Guinle
M.D. Presidente da Associação Metropolitana de Esportes Atléticos

As resoluções divulgadas hoje pela imprensa, tomadas em reunião de ontem pelos altos poderes da Associação a que V.Exa tão dignamente preside, colocam o Club de Regatas Vasco da Gama numa tal situação de inferioridade, que absolutamente não pode ser justificada nem pela deficiência do nosso campo, nem pela simplicidade da nossa sede, nem pela condição modesta de grande número dos nossos associados.
Os privilégios concedidos aos cinco clubes fundadores da AMEA e a forma por que será exercido o direito de discussão e voto, e feitas as futuras classificações, obrigam-nos a lavrar o nosso protesto contra as citadas resoluções.
Quanto à condição de eliminarmos doze (12) dos nossos jogadores das nossas equipes, resolve por unanimidade a diretoria do Club de Regatas Vasco da Gama não a dever aceitar, por não se conformar com o processo por que foi feita a investigação das posições sociais desses nossos consócios, investigações levadas a um tribunal onde não tiveram nem representação nem defesa.
Estamos certos que V.Exa. será o primeiro a reconhecer que seria um ato pouco digno da nossa parte sacrificar ao desejo de filiar-se à AMEA alguns dos que lutaram para que tivéssemos entre outras vitórias a do campeonato de futebol da cidade do Rio de Janeiro de 1923.
São esses doze jogadores jovens, quase todos brasileiros, no começo de sua carreira e o ato público que os pode macular nunca será praticado com a solidariedade dos que dirigem a casa que os acolheu, nem sob o pavilhão que eles, com tanta galhardia, cobriram de glórias.
Nestes termos, sentimos ter que comunicar a V.Exa. que desistimos de fazer parte da AMEA.
Queira V.Exa. aceitar os protestos de consideração e estima de quem tem a honra de se subscrever, de V.Exa. At. Vnr. Obrigado.

(a) Dr. José Augusto Prestes.

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O santo São Januário
São Januário, ou Gennaro em italiano, viveu no final do terceiro século. Januário chamava-se Prócolo e pertencia à família patrícia dos Ianuarii. Ainda jovem, graças às suas atitudes de fé e caridade, foi nomeado Bispo da cidade de Benevento, vizinha de Nápoles, da qual se tornou patrono. Ele é venerado como santo e mártir tanto pela Igreja Católica Romana como pelas Igrejas Católicas Ortodoxas.
Naquele tempo, quando a Igreja e os cristãos eram perseguidos pelo império romano por causa de sua fé em Jesus Cristo, Januário estava preparado para o martírio. A palavra mártir vem do grego e quer dizer testemunha. Assim, Januário preparava-se para testemunhar seu amor a Jesus Cristo com a própria vida se fosse preciso. Como Bispo, ele foi um homem zeloso, conhecido pela grande bondade e pela sabedoria. Mas, então, como previsível, ele foi preso pelas forças romanas.
No ano 304, o imperador romano Diocleciano desencadeou a última e também a mais violenta perseguição contra a Igreja. São Januário foi jogado, juntamente com seus diáconos, na arena da pequena cidade Pozzuoli. A arena, claro, estava cheia de leões famintos. O povo que assistia ao espetáculo espera ansiosamente por ver o sangue dos cristãos derramado pelos leões. Todavia, ao se aproximarem do grupo, os animais ficaram dóceis e passaram a lamber os pés do Santo.
Acontecera como a Daniel, o profeta. As feras não os atacaram. O povo ficou pasmo, pois sabia que os leões estavam famintos. Muitos dos que estava na arena se converteram ao verem que aqueles homens eram protegidos pelo próprio Jesus. Então, por ordem de Diocleciano, o último imperador que perseguiu os cristãos, eles foram decapitados em 305.


O estádio


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Na época da exclusão do Vasco , os times alegaram duas situações : a presença de muitos negros de situação duvidosa e a falta de um estádio para jogar, já que o Vasco jogava no em Andaraí ( o mesmo campo que tempos depois pertenceu ao América).Como o Vasco se recusou a mandar seus 11 jogadores negros embora e como não tinha dinheiro para construir um estádio , foi expulso da liga, na verdade os times insatisfeitos com o Vasco fundaram a Associação Metropolitana de Esportes Atléticos ( AMEA) e o Vasco junto com outros times menores ficaram na Liga Metropolitana de Desportos Terrestres(LMDT).

Um fato interessante também de se ressaltar é que o Vasco naquela época pagava uma espécie de “salário” a seus jogadores, mais  uma ajuda de custo para jogar e isso também gerou revolta, principalmente entre Flamengo e Fluminense que questionaram essa situação , foi ai que o presidente do Vasco começou a pagar seus jogadores com “bicho”, galinhas, porcos, etc.. Daí nasceu a expressão “pagar o bicho” no futebol.
O Vasco precisava de um estádio, mais da onde tirar a quantia gigante para pagar? Foi ai que a torcida junto com os comerciantes da localidade fizeram uma arrecadação, uma “vaquinha” para o clube poder juntar o dinheiro .

             Em pouco tempo foram arrecadados Cr$ 690.895,00,5 o suficiente para a compra de uma grande área em São Cristívão, de 65.445m². Feito isso, foram arrecados mais aproximadamente Cr$ 2.000,000.Co isso, os dirigentes compraram o terreno de 65.445 m² no bairro de São Cristóvão, que pertencia a Carlos Kuenerz e sua esposa Margarida Kuernerz, e que, segundo alguns historiadores, pertenceu a Marquesa de Santos, amante de Dom Pedro I, mas outras fontes descartam essa informação.

A escritura de compra e venda do terreno foi sacramentado em 28 de março de 1925 e a partir desse momento os dirigentes iniciaram os trabalhos de construção do Estádio.

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Durante a construção, um problema: presidente da República, Washington Luís se negou a autorizar a importação de cimento belga – já utilizado no Jockey Club. Sem aquele tipo de cimento, necessário para uma obra daquele porte, foi-se usada uma solução criativa e útil: uma mistura de cimento, areia e pedra britada. Estima-se que pelo menos 6.000 barris de cimento e 252 toneladas de ferro foram usadas na obra.
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Então, foi no dia 21 de abril de 1927 que o Estádio foi inaugurado num jogo entre Vasco X Santos com o placar de 3x5 para o Santos. Primeiro Gol: Evangelista (Santos) aos 19 minutos do 1º tempo. Primeiro Gol do Vasco: Negrito, de cabeça, aos 44 minutos do 1º tempo .Capacidade: Aproximadamente 30 mil espectadores.

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Sabia que a expressão “gol olímpico” nasceu no São Januário?
Sim, num jogo entre Vasco x Wanderers do Uruguai, o jogador do Vasco Santana, bateu o escanteio direto para o gol e o fez, como o time era do Uruguai que era o campeão olímpico , o gol foi batizado com o mesmo nome.
1-      De 1927 a 1950: Maior estádio do Rio ( Até a construção do Maracanã)
2-      1927 a 1940: Maior Estádio do Brasil ( até a construção do Pacaembu)
3-      1927 a 1930: Maior estádio da América do Sul ( até a construção do Centenário-URU)
São Januário também já foi usado como local de desfiles das escolas de samba e foi lá que o Presidente Vargas anunciou as primeiras leis trabalhistas.
Estádio nos trouxe títulos e tristezas , mais sempre o amaremos pois é nossa casa, é nossa conquista , é nosso amor .

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Entrevistas retirados do Lance net:
MAURO GALVÃO - Referência na defesa do Vasco entre 1997 e 2000
Lembro da primeira vez que cheguei a São Januário para jogar no Vasco, e logo senti uma atmosfera muito legal. É um estádio com clima diferenciado, acolhedor. Parece um estádio europeu, daqueles mais antigos. Desde que eu cheguei ali senti que era o lugar propício para a gente lutar pelas vitórias e pelos títulos. Então, ali, com a união da nossa torcida, conseguimos que o nosso time ganhasse muitos títulos, um ciclo muito importante na história do Vasco.

CARLOS GERMANO - Titular na meta entre 1992 e 1999 no Vasco
São Januário foi a minha casa durante 7 anos. Morei debaixo das arquibancadas, na Pousada do Almirante, onde cheguei com 14 anos e saí praticamente com 20. São Januário me abrigou. A gente viu o clube crescer, não tinham aquelas quadras, eram campos de terra. Vimos o clube se transformar, e são as melhores lembranças. Desejamos ao Vasco mais 100 anos de vida, mil anos. Um clube maravilhoso e um estádio maravilhoso, com muita história, construído pelos torcedores. Então, parabéns para esse estádio maravilhoso e que faz parte da minha vida.

HENRIQUE - Herói no Brasileiro de 2004
Vivi oito anos no Vasco, morei debaixo da concentração de São Januário. Sempre foi um clube altamente estruturado, com alimentação de qualidade. Agora, tantos anos depois, vejo que o estádio está bem diferente, com mais conforto para os torcedores, e isto é fundamental para o clube. Meu momento mais marcante em São Januário, sem dúvida, foi o gol da vitória do Vasco sobre o Atlético-PR, por 1 a 0, que livrou a equipe do rebaixamento em 2004. São Januário estava cheio, eu vi quase 30 mil pessoas emocionadas, e na época quando encontravam na rua, me abraçavam por ter feito aquele gol. Até hoje, guardo com muito carinho este momento.


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 festa de natal em são Januário -1927

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 Presidente Vargas no Getúlio Vargas


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São Januário sediou o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro em 1943 e 1945


terça-feira, 21 de março de 2017

RESERVATÓRIO E PARQUE ARY BARROSO

PARQUE ARY BARROSO: UMA CHACARÁ, UM LOBO JUNIOR, UM PARQUE.....

 Depois de várias reuniões durante a noite, conversar no whatsapp, debates, tiros e bombas, decidi escrever sobre   todo o processo que ocorreu para transformar uma chácara num dos parques mais conhecidos do subúrbio carioca, o Parque Ary Barroso. Vamos todos através dessa leitura romper a linha do tempo e conhecer uma Penha ainda em desenvolvimento, mas que já abrigava pessoas importantes e acontecimentos impares, que com o passar do tempo, a chácara foi vendida, onde no terreno existiu escola, reservatório e nos dias de hoje um parque mal cuidado e abandonado.






A história do parque começa exatamente no longínquo ano de 1868 em Portugal , quando nasceu o homem responsável de colocar no mundo o grande nome das terras da Penha, nascia Francisco Lobo Junior. Ainda não tem muitos registros ou trabalhos historiográficos sobre a chegada da família em terras brasilis, mas sabemos que assim que a família chegou aqui adquiriu uma boa parte do antigo arraial da Penha, mas como escrevi acima, que faria a diferença para o crescimento do bairro seria seu filho José Francisco Lobo Junior.

Vamos imaginar aquela região do parque Ary barroso um grande arraial, ou se preferir uma grande fazenda, com varias cabeças de boi e plantações, dentro havia construções que serviam de morada de toda a família e inclusive uma pequena capela particular. Na descida, uma estrada( conhecida como estrada do Portinho- atual Lobo Junior) que levava direto a praia da Moreninha. O nome do local era Chácara das Palmeiras e ficava exatamente aonde é o parque, encostado ao morro da caixa d’agua, antes chamado serra da Misericórdia. Uma boa tarte da Penha e Penha Circular pertencia a esse arraial. Deveria ser um lugar muito bonito não? Mas vamos  continuar nossa viagem.

Lobo Junior era um nome muito influente tanto na parte política, tanto na parte religiosa, ara um homem empreendedor. Uma grande demonstração de sua influencia perante a todas as esferas da sociedade, foi criada uma pequena estação de trem, chamada parada Lobo Junior que mais para frente foi derrubada e no local colocada uma linha circular (1930), que se destinava a permitir o retorno dos trens do subúrbio que vinham da estação Barão de Mauá, o que num momento mais a frente se tornaria a estação Penha circular. Mas sua Influencia não se limitava apenas isso, Lobo Junior conseguiu água, luz e pavimentação para a Av. Braz de Pina. Ele também construiu várias casas no inicio do bairro, doando ou vendendo parte de suas terras, podemos citar aqui dois exemplos de áreas doadas que hoje todos que passam pela Penha conhecem, alias  um conhecem até de mais o outro pouquíssimas pessoas sabem que ele existe.














O terreno onde fica o reservatório da penha foi desmembrado da chácara das Palmeiras no dia 08/08/1911, lembra quando eu disse que Lobo Junior trouxe água para a Penha?  Não foi apenas para  Penha, esse reservatório abasteceu Bonsucesso, Ramos, Olaria,Penha,Brás de Pina, Cordovil e Vigário Geral. O reservatório foi inaugurado em 1914 e era considerado um verdadeiro marco da engenharia e uma inovação, pois usou uma técnica nova, o concreto armado, ele era totalmente descoberto, tinha forma tronco-cônica, dividido em dois compartimentos. Ao centro um grande poço cilíndrico com aparelhos de manobra com capacidade de 2.000 metros cúbicos d’água. O reservatório está na serra da misericórdia- hoje morro da caixa d’água- e ocupa uma área de 2.449,30 metros quadrados. Foi desativado no final dos anos 80.

Outra parte do terreno da chácara que foi cedida para a construção de algo que ajudaria durante anos foi o terreno do hospital Getúlio Vargas. Cedido por Lobo Junior, o hospital demorou a ser construído, foi inaugurado no dia 3 de dezembro de 1936 no governo do prefeito do distrito federal Pedro Ernesto (1935-1936).


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Voltando para a antiga chácara, como eu escrevi antes, dentro do terreno além de existir construções para morada do Coronel e família , existia a capela particular de Lobo Junior, a capela de Santo Antônio e Bom Jesus do Monte, era pequena mais muito usada pela família para comemorações e até velórios. Na época sempre saiam reportagens em jornais de grande circulação sobre acontecimentos a ser realizados dentro da capela e nas dependências. Chegou a sair no jornal um pedido de Lobo Junior para que se coloque o capelão de seu desejo para celebrar missas em sua capela (Jornal “A União- 13 junho de 1906).O jornal do Brasil do dia 20 de junho de 1905 registrou festejos em comemoração ao dia de santo Antonio com missa e sermão do Vigário da Penha Padre Tomel. Essas festas aconteciam todos os anos como mostra o jornal “O Paiz” do dia 23 de junho de 1907 que relata festas na parte interna e externa da capela particular de Lobo Junior e avisa que haveria uma missa as 09 horas da manhã para encerrar os festejos.Mas não era apena a festa de Santo Antonio  que fazia a pequena capela ficar lotada, no dia 22 de setembro de 1907 o jornal Correio da manhã noticiava comemorações do dia de São Cosme e Damião e o proprietário da chácara abria suas portas para a realização da festa nos dias 27 e 28, haveria uma procissão que sairia da chácara comandada pelo Vigário de Irajá e a segurança seria feita pela brigada do 15 batalhão.
Estamos vendo que a chácara era um lugar bem movimentado, muitos festejos, mas quero apresentar outra surpresa para vocês, a Penha já teve um time amador de futebol e campeão.

Não acredita?

Sim amigos, era o Portinho F.C,  o nome do time foi dado por causa da estrada do Portinho, que era em frente a chácara e levava até a praia da Moreninha, mais tarde com a morte do Lobo Junior ganhou o nome de av. Lobo Junior. A sede social e o campo do time ficavam dentro da chácara. O time era amador, mais muito bom, ganhando vários jogos e torneiros por todo o Rio de Janeiro. O jornal “O Malho” trouxe uma parte especial de seu jornal do dia 15 parabenizando o time pela conquista do campeonato da liga esportiva, chamando os jogadores de verdadeiros heróis.

O Time foi fundado em 1909, muito interessante, por que o campeonato amador carioca começou em 1906 e já contava com uma liga secundária. Em 1902 a “Gazeta de Noticias” noticiava a comemoração de quatro anos de fundação do time, foi promovida uma grande festa para os sócios, Lobo Junior não poupa despesas e realizou um dia inteiro de festas e brincadeira que podemos destacar  a corrida de ovos na colher sendo segurada pela boca, entre outros. No dia 27 de junho de 1912 houve um jogo entre o Portinho x o Rio Branco, o jornal “O Imparcial” noticiou que o time do Rio Branco embarcaria no trem às 12h12min na Praia da Formosa (estação Leopoldina). No dia seguinte foi noticiada a grande vitória do Portinho em seus domínios.

Outra festa que foi noticiada em veículos da imprensa escrita foi o aniversário do Lobo Junior, no dia 8 de janeiro de 1915, o jornal “A época” noticiava a grande festa de aniversário que ocorreu no dia 7 em sua bela vivenda, uma festa para convidados exclusivos e que foi até a madrugada.
Mas a chácara não vivia apenas de festas e comemorações, no dia 18 de dezembro de 1917 acontecia o enterro de uma figura muito importante para a região do subúrbio, era velado na capela o senhor lavrador e proprietário das de Brás de Pina o senhor Antonio do Carmo Rodrigues, seus filhos e viúvas fazem rezar uma Missa na capela as 9 horas do dia 19 com o padre Vigário de Irajá Padre Januário Tomei. Isso nos mostra que Lobo Junior tinha uma boa relação com seus vizinhos de bairro.


O Parque Ary Barroso


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A idéia de construir o parque na antiga chácara foi do Governador do Estado da Guanabara Carlos Lacerda (1960-1965) foi um grande administrador e realizou grandes obras por toda a cidade, remoções de comunidades inteiras e criação de conjuntos habitacionais. O jornal Pessoal & Gramsci e o Brasil trouxe em suas paginas uma declaração do governador dizendo que queria construir mais parques pela cidade, pois contava com poucos locais de diversão para a população.

O terreno de 50 mil metros quadrados onde seria construído o parque foi comprado por 20 milhões de cruzeiros junto ao Banco do Brasil que tinha leiloado o terreno de Hugo Borghi. Poucas pessoas sabem que no terreno funcionava a escola Mario Barreto, que quase toda semana estava sendo denunciada nos jornais pela sua precariedade nas instalações e sua falta de higiene, a escola foi fechada em 1963 e os alunos transferidos para a Rua bento Cardozo , num local com apenas dez salas de aula.As obras se iniciaram no ano de 1963 no mês de outubro, sendo de responsabilidade de fiscalizar  do diretor de Parques da Guanabara Fernando Chacel. As obras seguiram de forma acelerada, pois queria mostrar a toda população que poderiam construir um parque dessa magnitude em tão pouco tempo, a obra deveria ser entregue em 1965. A localização seria perfeita, pois está do lado do hospital Getúlio Vargas e do recente viaduto construído João XXIII. O Valor estimado da obra foi de 150 milhões de Cruzeiros. O projeto dividia o Parque em três importantes áreas: áreas dos lagos e cascatas (que era abastecido pelo reservatório), área esportiva e área administrativa. Desde o começo o governo da Guanabara fiscalizou quase que diariamente as obras, tanto que o jornal Correio da Manhã na sexta feira do dia 10 de abril noticiou que o chefe do poder executivo iria pessoalmente vistorias as obras do conjunto recreativo da Leopoldina.
O rio de janeiro contava apenas com cinco grandes lugares de lazer para a população, detalhe, nenhum no subúrbio carioca, nenhum para que a população mais pobre pudesse desfrutar de um domingo de lazer, um dos poucos lugares ou talvez único do subúrbio era a princesinha da Leopoldina, a Praia de Ramos. Os parques eram: Na época a cidade só contava com cinco grandes parques: Quinta da Boa Vista, Campo de Santana, Parque Viveiro de Vila Isabel, Parque Guinle e Parque da Cidade.

A construção do parque ficou de responsabilidade do arquiteto Pedro Paulino Guimarães, que pregou o projeto elaborado pela equipe de estudos e Projetos do Departamento de parques, colocou seus toques pessoais e organizou todo o projeto. O terreno foi um verdadeiro desafio, era um terreno rochoso, rocha essa de granito. A vegetação apensar de pequena era bastante espessa. Ela foi cuidada devidamente e complementada com uma massa de espécies arbóreas de floração rica e viva. Mais de trezentas espécies de vegetação entre plantas e arvores foram trazias e plantadas, importante citar que só de arvores existia 130 espécies. Quaresmeiras roxas e rosas, ipês roxos, amarelos e brancos, mulungus, espatódeas, flamboyants vermelhos, cássias amarelas e roxas. Árvores que medem de 3 a 5 metros de altura, vindas de São Paulo, chácaras particulares, viveiros da Prefeitura e muitas são reutilizadas de áreas atingidas por obras e demolições. Algumas mangueiras foram reemplantadas no parque, pois foram retiradas da área onde foi construído o viaduto da Penha João XXIII. As cascatas artificiais são movimentadas por bombas que fornecem uma lâmina de água de 10 cm de altura por uma extensão de 3 metros. A água é bombeada da casa de bombas para a nascente, desce em cachoeira sobre os dois lagos e é recolhida novamente para ser bombeada. Sendo assim, a mesma água sem haver desperdícios, mas também há registros que a água do reservatório foi usada algumas vezes para abastecer o lago .A área de esportes terá 3 quadras (futebol e basquete) com arquibancadas e um vestiário, área essa que pertencia a sede do Portinho F.C. A região administrativa da Penha era o responsável de abrir e fechar os portões da obra. O local era policiado por quatro guardas que se revezava (naquela época a violência não era tanta) e foram usados 36 trabalhadores nas obras. A administração do parque funcionava junto aos vestiários e sua principal função era evitar novas construções que poderiam de alguma forma interferir no tratamento paisagístico. Por isso o parque não teria bancos e as pessoas teriam que aproveitar as muretas de concreto. Segundo o secretário de obras públicas, uma das maiores preocupações dos arquitetos, era a beleza com que ficaria o parque.
A notícia se espalha, a imprensa escrita e falada comenta o grande dia, rádio Tupi, Diário de Noticias e Jornal do Brasil escreve sobre a grande inauguração Parque Ary Barroso, parque esse que custou um total de CR$220.000.000,00(que recebeu essa homenagem devido ao grande compositor ter morrido em 1964 e era grande frequentador da festa da Penha). Ao mesmo tempo outros parques eram inaugurados pela cidade, no dia 26 de setembro de 1965, às 15 horas, por portões eram aberto, com uma grande festa com a participação dos alunos da Escola Normal da Penha, que cantaram um hino inédito escrito pelo mestre Ary Barroso, o nome do rio era Rio anos 400(1965 a cidade estava completando 400 anos). O parque foi o primeiro e grande parque do subúrbio e que iria beneficiar toda a região da Leopoldina, pois todos teriam acesso ao parque, antes a maioria se dirigia ao Parque da quinta da Boa Vista. Houve até um aumento considerável de linhas de ônibus para poder levar aqueles que desejavam visitar o parque e, além disso, estava ocorrendo o processo do fim definitivo dos bondes.

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Um fato curioso é a história da cadela Bocanegra. A bichinha  foi abandonada ainda no inicio das obras do parque e foi rapidamente adotada pelos funcionários da obra. Durante o dia ficava ao lado dos trabalhadores, a noite ajudava na segurança do parque,mesmo depois das obras terem acabado e o parque aberto, Bocanegra adotou o lugar como seu eterno lar, ficava descansando nas sombras das arvores e bebia água no lago.Bocanegra não estava sozinha não, em meio as arvores existia dois macacos que infernizava os freqüentadores do parque, fora que no lado existia no lago peixes dourados, saracuras, gansos, jacus e pavões, era um verdadeiro paraíso no subúrbio , as famílias se reunião todos os dias , mas principalmente nos finais de semana. O Parque ficava aberto horário comercial e fechado durante a noite.

Em janeiro de 1969, é anunciada a construção da primeira piscina pública no interior do Parque Ari Barroso. Em março esta idéia foi descartada, pois para que o projeto fosse realmente a frente, teriam que retirar as quadras de esporte.
Outra curiosidade é que por um tempo o parque mudou de nome, passou a se chamar arraial do tri-campeão em homenagem ao time do Brasil campeão da copa do Mundo de Futebol no México em 1970, isso foi até noticiado no “Correio da manhã” no dia 24 de junho de 1970.
Infelizmente pouco tempo depois de sua inauguração o processo de degradação do parque teve seu inicio, com momentos de melhora, mas que por culpa de governo e da população culminou no abandono do parque.
O Orgão que tomava conta do parque, a Sursan( Superintendência de urbanização e saneamento) foi extinta no inicio dos anos 70 e nenhum outro órgão assumiu a administração do parque, passou a ficar totalmente abandonado, entregue a própria sorte, suas instalações começaram a ficar degradadas. Apenas em 1972 foi criado outro departamento para cuidar dos parques e jardins e voltou a cuidar do parque. Imaginem um parque que tinha a média de mil pessoas visitando todos os domingos ficava sem o cuidado necessário?
A cidade do Rio de Janeiro passou por várias crises hídricas em sua história, um desses anos foi o de 1974, a cidade enfrentou uma escassez de água, reservatórios em baixa e a Penha e o Parque sofreu com isso. Como a água que já era pouca não chegava ao alto dos morros em volta do parque, os moradores desciam para o parque para tomar banho e lavar suas roupas, usavam o lago para realizar isso, lembramos que isso era proibido, mas era muitas pessoas ao mesmo tempo e não tinha como controlar. Em 1979 mesmo com várias atrações como campeonato de pipas, colônias de férias e circo dentro do terreno do parque, o parque estava enfrentando o abandono do governo público, além as instalações ficando ruins e obsoletos, a segurança já não era motivos para elogios e a água já não era limpa e tampouco boa usar em brincadeiras.Anos 80 começa uma reação em cadeira onde todos os parques da cidade começam a ficar abandonados e toda a natureza cuidada durantes anos começa a desaparecer e junto com eles, seus frequentadores. Nessa mesma época começou a ter o registro dos primeiros casos de assalto a populares, como não existia mais segurança e o parque abandonado, estupros e assaltos eram constantes, usuários de drogas invadiam o terreno, prostitutas usavam o local como ponto de sexto, e a cada dia que passava, o número de frequentadores iria diminuindo. Em 1984 funcionou com menos da metade dos funcionários (13 de 28), mas estava bem cuidado.

Frequentadores só reclamavam das sujeiras geradas por religiosos que enchiam o parque seus rituais e dos desocupados. O encarregado, na época, reclamava das pessoas que invadiam o parque à noite. Pois os muros não haviam sido totalmente construídos.

Em 1992 o parque passou pela sua ultima grande reforma, o que trouxe um pouco de dignidade, tanto que Dorinha faziam alguns show no local interpretando canções de Ary Barroso, voltou a ter programas voltado para a população como aulas de capoeira e aulas de Tai-Chi-Chuan, mas isso não iria durar muito tempo.

O globo. Com realizou uma reportagem mostrando como um parque tão lindo em seu começo chegou a esse estágio de completo abandono, mesmo depois da inauguração da Arena Dicró e a implantação da base do exército, depois da UPP e da Upa ao lado, o parque jamais voltou a ser aquele orgulho da Penha, nos dias de hoje praticamente ninguém visita o local, exceto usuários de drogas e bandidos, todos tem medo de ir para o lado do antigo lago e da cascata, o parque infelizmente acabou e como suburbanos que amam nosso querido bairro e nosso parque, deveríamos olhar com carinho para esse monumento histórico, esse monumento que conta um pouco da história não apenas da Penha, mas de todo Rio de janeiro.

-Carlos Lacerda assinou o decreto definindo o nome do parque em 13 de fevereiro de 1964:
“O parque em construção na Penha, entre as ruas Flora Lobo e Lobo Junior e a av. Brás de Pina, em frente ao Hospital Getúlio Vargas e Viaduto João XXIII, passa ter a denominação Oficial de Ari Barroso” (Diário Carioca – Edição:11015/pág.6)


Bibliografia


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Instituto estadual de cultura
Freire, Américo: Guerra de posições na metrópole: a prefeitura e as empresas de ônibus no Rio de Janeiro (1906-1948). 1. Ed. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2001
Fraiha, Silvia: Ramos, Olaria e Penha.1.Ed.Rio de Janeiro: Editora:Fraiha
Letiere, Robson: Rio Bairros. 2.E.d- Editora própria.2015